No centro histórico de Madrid, 100 mil pessoas (números avançados pelas autoridades espanholas), aderiram à Marcha da Mudança convocada pelo Movimento Podemos. A manifestação teve início ao meio dia ( hora local) e durou pouco mais de uma hora e meia, altura em que, naquele ponto, o trânsito voltou à normalidade. Pablo Iglesias, o rosto do novo partido, que lidera atualmente as intenções de voto em Espanha, explicou que mais, do que sonhar com um país melhor, é necessário tornar esse sonho realidade e só uma mudança política poderá trazer de novo a esperança de uma vida melhor e mais justa. Pablo refere que este é “o ano da mudança, é um ano de reviravolta para a Europa”, e mostra-se convicto de que conseguirá derrotar o Partido Popular nas próximas eleições. Para Iglesias, o vento da mudança começou a soprar na Grécia, há seis dias, com a vitória do Syriza. Para Iglesias é claro que atualmente, tanto o governo de França como o de Espanha reconhecem a necessidade de “impor limites a Merkel”.

Esta foi a primeira grande prova pública da força política do Podemos, desde que foi constituído partido. A Marcha da Mudança começou na praça das Cibeles e juntou apoiantes vindos de toda a Espanha descontentes com a atual situação política. De acordo com o líder do Podemos, esta manifestação pretendeu apelar à mudança, e não foi uma crítica a ninguém.

A reação do Presidente do Governo foi imediata. Rajoy afirmou que não aceita “a Espanha negra que alguns querem pintar”, e ataca o Podemos, dizendo que este partido é responsável por ampliar os problemas existentes pois “querem, a todo o custo, derrubar o atual governo”. Explica também que as dificuldades sentidas na Espanha devem-se ao facto do país enfrentar uma das mais duras crises das últimas décadas.

Tendo constituído a surpresa nas eleições europeias de 2014, um milhão e duzentos mil votos e cinco eurodeputadas eleitos, o próximo teste político do Podemos será já daqui a quatro meses, nas eleições regionais parciais e autárquicas espanholas.