O advento da tecnologia dos aviões pilotados à distância trouxe consigo uma revolução das tecnologias aeronáuticas e das capacidades das mesmas. Conhecidos como drones, numa referência às abelhas operárias que sustentam as suas colmeias, estes aviões são usualmente reconhecidos pelo público através dos grandes e dispendiosos Predators e Reapers utilizados pelos americanos e seus aliados no Médio Oriente e Ásia Central. No entanto, estas aeronaves existem em diversas formas e feitios e algumas cabem, inclusive, na palma da mão, havendo modelos de série já em uso no terreno deste tipo de aparelhos. Este tipo de tecnologia está já disponível para o mercado civil e muitos utilizadores privados fazem uso extensivo da mesma, e é este aspeto que nos traz para os estranhos eventos que se têm sucedido em França desde o Outono do ano passado.

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Em outubro, a distribuidora elétrica nacional francesa, a EDF, havia reportado avistamentos de pequenos drones sobre 7 centrais nucleares. Na rescaldo do incidente foi apresentada uma queixa formal, mas nunca se descobriu quem estaria por detrás dos aparelhos. Isto deu-se numa altura em que, devido a um outro episódio, fora preso por uma noite um turista israelita de 24 anos, sendo o mesmo ainda forçado a pagar uma multa de 400 Euros, uma vez que utilizar aeronaves sobre locais sensíveis (neste caso a catedral de Notre Dame) é punível pela lei em França.

Novos voos de aparelhos não-identificados, cerca de 20, foram reportados em novembro, e em janeiro houve outros avistamentos sobre o Palácio Presidencial e sobre o porto onde estão estacionados submarinos nucleares franceses, na Bretanha.

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Novamente nunca se descobriu quem estaria por detrás dos mesmos. A situação voltou a fazer-se sentir esta terça-feira, com 5 avistamentos feitos sobre a Torre Eiffel, a embaixada dos Estados Unidos, e outros pontos da cidade. As autoridades francesas começam a sentir-se compreensivelmente nervosas, uma vez que alguns dos incidentes se deram pouco depois dos ataques ao Charlie Hebdo, e teme-se que possam implicar preparações para algum tipo de atentado.

Também não está descartada a hipótese de serem apenas brincadeiras de mau gosto, mas, no entanto, já foi iniciado um programa, avaliado em mais de um milhão de euros, com vista a arranjar modos de intercetar estes drones. A verdade é que estes aparelhos são baratos de adquirir e manter, e é possível operá-los a grandes distâncias, tornando a procura dos seus utilizadores uma esforço complexo. Questões acerca da segurança pública e nacional do seu uso já haviam sido levantadas noutras instâncias. Aliás, apesar de neste momento as máquinas em si não serem perigosas, em caso de avaria poderiam despenhar-se sobre transeuntes ou propriedade privada. Mais sinistramente, há quem pense que mesmo modelos civis poderiam um dia ser modificados para transportar produtos perigosos ou explosivos. #Terrorismo