O Papa Francisco tem sido elogiado pelas suas tentativas de modernizar a Igreja Católica, mas os seus pontos de vista permanecem conservadores quando se trata de disciplinar as crianças. Esta semana o sumo pontífice falou sobre o papel dos pais na família e proferiu uma frase que tem feito correr tinta nos jornais. O líder da Igreja Católica afirmou que é correcto bater nos filhos para os educar, desde que tal seja feito de modo a manter a sua dignidade. As declarações, porém, não foram bem recebidas por várias associações dedicadas à protecção de menores.

O Rev. Thomas Rosica, que colabora com a assessoria de imprensa do Vaticano, declarou que o papa não estava a promover a violência ou crueldade contra uma criança.

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A ideia do Sumo Pontífice é a de "ajudar alguém a crescer e a amadurecer". Para o Papa as características de um bom pai inclui saber perdoar, mas também saber corrigi-la com firmeza. Alguns activistas já vieram a público condenar a sugestão do Papa. Foi o caso de Peter Saunders, fundador da National Association for People Abused in Childhood, uma associação americana de crianças que sofreram abusos. Em declarações ao Telegraph, Saunders afirmou que é "decepcionante" que alguém com tamanha influência a nível mundial profira tal comentário.

As observações do Papa surgem algum tempo após a posição da Igreja Católica sobre a punição corporal ter sofrido fortes críticas. No ano passado, o Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas lembrou a Santa Sé que é recomendado que esta altere as suas próprias leis para proibir especificamente a punição corporal de crianças, incluindo no seio da família, e criar meios para fazer valer essa proibição em escolas católicas e instituições a nível mundial.

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Na altura, o Vaticano argumentou que não tinha promovido a punição corporal, mas que também não tinha nenhuma maneira de impor qualquer tipo de proibição do seu uso em escolas católicas, sobre as quais não tem competência. Referiu ainda que era apenas responsável pela execução do tratado de direitos da criança no interior do Estado da Cidade do Vaticano. Além disso, na sua resposta escrita à ONU, o Vaticano referiu que de acordo com a doutrina da Igreja, os pais "devem ser capazes de rectificar acções inapropriadas dos seus filhos", impondo certas consequências razoáveis para esse tipo de comportamento.

Actualmente são 39 os países que proíbem os castigos corporais a crianças. Em Portugal, desde 2007 que qualquer tipo de castigo corporal é proibido, seja em casa ou na escola. #Educação #Religião