Nos últimos meses fotografias de satélite divulgadas pelas autoridades americanas têm trazido alguma luz adicional sobre os esforços da República Popular da China (RPC) para a construção de importantes bases militares na sua costa, bases essas que incluem um heliporto com dez placas de aterragem e um aeródromo militar construído sobre uma imensa ilha artificial nas Ilhas Spratly. Este último arquipélago situa-se na extremidade sul do Mar do Sul da China, e é reclamado por diversos países do Sudoeste Asiático que incluem o Brunei, as Filipinas, Taiwan e o Vietname, para além da RPC, todos eles com presença militar nas ilhas.

A questão mais premente em relação a esta nova base militar é que permitirá a operação dos bombardeiros médios H-6 chineses, colocando todos estes países, e grande parte da Oceânia, dentro do alcance de possíveis ataques, o que vem causar ainda mais tensão numa região já beirando a instabilidade.

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A juntar a estes investimentos, que Pequim já descreveu como "normais" para a defesa dos seus interesses, a Marinha Chinesa já anunciou também que começou a construção de um segundo porta-aviões.

Estes desenvolvimentos originaram respostas por parte dos governos que se sentem ameaçados pelos avanços chineses. A verdade é que a economia chinesa tem sofrido uma desaceleração no seu crescimento, que até recentemente aparentava ser imparável. Esta situação contradiz o acordo tácito entre o repressivo governo comunista que, para todos os efeitos, mantém a legitimidade enquanto houver trabalhos. Caso isto falhe, é previsível que se comecem a notar as fraturas inerentes ao mesmo. Teoriza-se que as reclamações territoriais se enquadrem num contexto mais vasto de utilizar os recursos que se sabem existir nestes arquipélagos e águas circundantes, de modo a revitalizar a economia.

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Evidentemente que sendo tais objetivos reais, os países com os quais Pequim tem diferendos tendem a sentir-se compreensivelmente ameaçados, ainda para mais com oficias da RPC a admitirem abertamente que estes novos empreendimentos ajudarão o país a "vencer futuras guerras."

Todos estes elementos se cruzam, talvez surrealmente, com a crise ucraniana. Vladimir Putin tem feito esforços para virar as alianças de Moscovo para Oriente. Com as sanções económicas do Bloco Ocidental, e com prejuízos nas vendas de combustíveis à Europa, o governo russo tem feito esforços para criar melhores relacionamentos com as maiores potências asiáticas, sobretudo a RPC e o Irão. Também tenta solidificar acordos prévios com potências menores, que incluem a Coreia do Norte, a Argentina e a Venezuela. Este novo Bloco Asiático é de certo modo contraposto pela campanha diplomática americana na Ásia, que recentemente se caracterizou pela invulgar visita de Barack Obama à Índia, um país tradicionalmente aliado de Moscovo, e de certo modo alienado pela crescente agressividade chinesa e falta de apoio de Putin.