Boris Nemtsov, um dos principais opositores de Vladimir Putin, foi assassinado na noite da passada sexta-feira, dia 27, na ponte de Bolshoi Moskvoretsky, junto ao Kremlin, em Moscovo. O político liberal foi abatido a tiro, sendo atingido quatro vezes nas costas, por atacantes não identificados que seguiam num automóvel. O homicídio de Nemtsov ocorre horas depois do político ter dado uma entrevista, na qual divulgava um comício anti-guerra que iria decorrer durante o fim-de-semana. Yulia Ivanova, porta-voz do Comité de Investigação da Rússia, revelou que esta morte teve todas as características de um "assassinato".

Nemtsov, de 55 anos, antigo vice primeiro-ministro russo, era um forte crítico da política do Presidente Putin sobre a Ucrânia, demonstrando as suas opiniões publicamente.

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A possibilidade de ser morto devido à sua oposição face à guerra no país vizinho era uma opção que o político não descartava. Em declarações ao jornal russo Sobesednik, no dia 10 de Fevereiro, revelou temer pela sua vida, "tenho medo que Putin me mate", afirmou. Boris Nemtsov foi um dos organizadores de várias manifestações de rua contra o chefe de estado russo e, em 2010, foi condenado a 15 dias de prisão por participar numa manifestação não autorizada.

Mikhail Kasyanov, outro líder da oposição, tem poucas dúvidas de que o assassinato não tenha sido por razões políticas. Segundo Kasyanov, este é o "retorno" que Nemtsov teve após tantos anos a lutar "para que a Rússia se tornasse um país livre e democrático". O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, prestou a sua homenagem a Nemtsov, no Twitter, numa mensagem em que afirmava estar em "choque" com a sua morte.

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Outro líder mundial, Barack Obama, presidente dos EUA, descreveu Nemtsov como um "incansável defensor para o seu país" e pede que seja feita uma investigação "transparente".

Um porta-voz do governo de Putin, Dmitry Peskov, já veio a público afirmar que o presidente considera esta morte uma "provocação" e declarou que as investigações do homicídio iriam estar sob "controlo pessoal" de Putin.