Erros constantes da União Europeia na política agrícola levaram a prejuízos no valor de 12 biliões de euros em projectos onde se valoriza a concessão de contratos a fornecedores escolhidos e a empregos para privilegiados (jobs for the boys). O Tribunal de Contas Europeu (TCE), acusou os Estados-membros da UE de uma "inaceitável alta" taxa de erros, estimado em 12 biliões euros  - ou 8,2% do total de 150 biliões para o programa de política de desenvolvimento rural da UE  entre 2007 e 2013, anunciou o TCE em relatório apresentado no principio desta semana. O relatório menciona os benefícios de empregos e contratos a pessoas e entidades escolhidas sem concurso. 

"Alguns beneficiários preferiam trabalhar sempre com os mesmos fornecedores, a maioria dos quais já tinha fornecido anteriormente bens ou serviços semelhantes, sendo, portanto, contratos adjudicados directamente. Os organismos financiadores nunca se opunham a isso, mesmo quando não eram respeitados os princípios básicos de aquisição, de transparência, objectividade, não discriminação e transparência adequada ". O relatório refere que a principal causa do prejuízo e corrupção é a "complexidade da política de desenvolvimento rural e a fraca fiscalização da UE". Grande parte do orçamento é gasto em subsídios concedidos aos estados para comprar máquinas agrícolas e de processamento de alimentos.

O relatório do TCE denuncia serem os próprios Estados membros - e não as instituições da UE - os responsáveis pela fraude no sector agrícola (enquanto os municípios ficam ilibados pela fraca experiência na contratação). É mencionado que o sistema de fiscalização dos estados membros poderia, com eficácia e preventivamente, ter detectado as irregularidades agora expostas. E refere: "A fiscalização não funciona porque a inspecção é deficiente e baseada em informações superficiais".

Rasa Budbergytė, responsável pelo relatório, disse: "para diminuir as fraudes na política de desenvolvimento rural é preciso encontrar um equilíbrio entre o número e a complexidade das regras que regem os gastos - que podem até melhorar a competitividade da agricultura - e os instrumentos para as aplicar".

Os auditores calculam que a taxa de erro médio do prejuízo da política de desenvolvimento rural foi mais de 4 vezes o "limite de razoabilidade" (os erros nos gastos na UE são considerados preocupantes quando afectam mais de 2% do orçamento comunitário).