O Secretário dos Negócios Estrangeiros britânico, Philip Hammond, comentou veementemente a posição de Vladimir Putin e da Rússia em relação à questão ucraniana, sobretudo depois de os porta-vozes russos terem acusado o governo de Londres de se ter tornado irrelevante devido à sua falta de envolvimento direto na guerra civil que grassa naquele país. Indo mais longe ainda, Hammond declarou que Putin havia tido a audácia de enviar tropas para lá da uma fronteira soberana para invadir um país vizinho, e que nações civilizadas não agiriam daquele modo, considerando que esse era um comportamento digno dos grandes tiranos do século que passou.

São acusações que reverberam com aquelas feitas no ano passado e que comparavam Putin a ditadores infames como Hitler ou Estaline, e que foram acompanhadas de avisos acerca dos danos que a economia russa poderá ainda sofrer se não alterar radicalmente a sua atitude em relação à questão ucraniana, relembrando as sanções que já tantos estragos causaram nas economias da Rússia e de diversos países europeus.

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Por fim, Hammond ainda relembra que existirão poucas possibilidades para uma resolução militar do conflito, e que apenas uma resposta diplomática lhe poderá pôr um fim.

Foi exatamente essa possibilidade que este Domingo juntou François Hollande, Angela Merkel, Vladimir Putin e ainda Petro Poroshenko numa conversa telefónica em que se decidiu que haveria uma nova ronda de negociações na próxima Quarta-feira, na capital bielorrussa de Minsk. Muitos veem esta como a última tentativa de evitar um escalada ainda maior da situação no terreno, marcada pelas palavras graves proferidas por Merkel e Hollande este Sábado. O líder francês foi bastante frontal a admitir a possibilidade de um problema regional se tornar num conflito muito mais amplo e sinistro. Já a Chanceler alemã admitiu que tentariam todas as vias diplomáticas, mas que não se previa qualquer compromisso por parte de Moscovo.

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Infelizmente, a resposta ocidental ao que a NATO já descreveu como agressão russa não é consensual. Washington já havia admitido na semana passada que se deveriam fornecer armas a Kiev, mas existem amplos receios de que tal medida poderia apenas enfurecer Moscovo, independentemente de quaisquer ganhos políticos. O Senador John McCain descreveu o processo diplomático liderado pela Alemanha como uma "tolice", demonstrando ceticismo em relação ao mesmo.

Caso Moscovo não ceda, existem planos para novas sanções económicas, mas a possibilidade divide os europeus, que também sofrem com o corte do acesso aos mercados russos dos quais tanto dependiam. Assim sendo, se Kiev falhar novamente, quaisquer respostas a esse facto apenas poderão ser traçadas em Março, no encontro dos líderes europeus.

No solo, a superioridade material dos rebeldes pró-russos, cada vez mais claramente apoiados por Putin, está a empurrar as forças governamentais para Oeste, e fala-se de terríveis baixas entre militares e civis, neste confronto que já causou mais de 5100 vítimas desde Abril.

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Entretanto, a Rússia fortaleceu laços com alguns dos seus antigos aliados, incluindo governos tão inesperados como os da China e do Irão. Para já, e como tem sucedido nos últimos meses, Putin age como o homem que tem todas as cartas na mão.