O mercado de artefactos antigos é um negócio multimilionário, com vendas extraordinárias a serem feitas ocasionalmente, como no caso de uma estátua egípcia vendida por 21 milhões de euros no ano passado. Aliás, tais aquisições, quando públicas, são de tal modo comuns que apenas os casos mais insólitos chegam ao conhecimento público, como é o caso de um raro gato de bronze com cerca de 20 centímetros fabricado no Antigo Egipto há cerca de 2500 anos, e que agora foi adquirido num leilão em Londres pelo impressionante valor de 70 mil Euros, cerca de 52 mil libras esterlinas.

O novo dono decidiu permanecer anónimo, mas sabe-se que o artefacto pertencera a Douglas Liddell, dono de uma empresa de venda de antiguidades, e que acabara abandonado na sua casa na Cornualha após a sua morte, em 2003.

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O gato esteve à beira de ser atirado ao lixo pelos atuais donos da casa, desconhecedores daquilo que tinham em mãos, antes de ser finalmente recolhido pelo licitador David Lay e depois autenticado no Museu Britânico por especialistas de renome.

Na época à qual se pensa que este artefacto pertencia (a 26ª Dinastia do Antigo Egipto), objetos do seu tipo seriam encomendados apenas por indivíduos de grande estatuto, sendo já então difíceis de fabricar, sobretudo com a qualidade que o mesmo apresenta. Os gatos tinham uma posição muito especial na mitologia egípcia, sendo sobretudo associados com a deusa Bastet, a guardiã do lar. Originalmente uma leoa guerreira do Alto Império, esta divindade acabaria por ser associada aos gatos após a unificação dos dois impérios, há cerca de 3000 anos. Predadores de pragas como ratos e cobras, os gatos eram vistos como defensores do lar e, portanto, mensageiros de Bastet.

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A reverência pelos felinos acabou por levar ao hábito de mumificar os mesmos após a sua morte, tendo-se encontrado mais de 300.000 múmias de gatos no importante templo de Per-Bast, a pouca distância do Cairo.

Com o tempo, o Império Egípcio transformar-se-ia, com convulsões internas e invasões, até simplesmente se tornar parte de outras civilizações. O que nos traz a uma outra importante notícia relacionada com arqueologia. Ao explorar o fundo de um porto abandonado em Caesarea, em Israel, um grupo de mergulhadores encontrou os destroços de um navio com mais de 1000 anos, dentro dos quais estavam quase 2000 moedas de ouro, o lote completo pesando cerca de 9kg. É a maior descoberta do género alguma vez feita na costa israelita, e provavelmente corresponde a um navio-tesouro do Califado Fatímida, que transportaria dinheiro dos impostos das extremidades do império para a capital, no Egipto. Classificada como tesouro nacional, a descoberta pertence agora ao governo de Telavive. #História #Curiosidades