Para os amantes da indústria sexual, ao melhor estilo de centro comercial do género, passam a ter em Roma uma séria concorrente ao Red Light District de Amesterdão. A partir de Abril, a Cidade Eterna, sede mundial da religião católica, passa a ter também o seu distrito do pecado. Ignazio Marino, presidente da câmara, de centro esquerda, autorizou o projecto que visa criar o Distretto della Luce Rossa. Nesta zona, a prostituição e toda a actividade comercial relacionada com o sexo serão oficialmente permitidas e toleradas.

A polémica foi muita, mas não impediu que a autarquia avançasse com a ideia que tem como objectivo travar a prostituição nas zonas residenciais do EUR.

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Trata-se de uma zona maioritariamente ocupada por edifícios de escritórios e habitação, localizada a sul do centro histórico da capital italiana. O presidente camarário decidiu conjuntamente com o conselho municipal, que tinha proposto a legalização da prostituição numa zona não residencial do EUR, numa tentativa de reduzir o impacto que esta actividade tem no quotidiano local. Na actualidade, mais de 20 ruas desta zona de Roma são ocupadas por negócios de prostituição, afectando muitas zonas residenciais.

Com a criação desta zona autorizada, a polícia local pode multar homens e mulheres que se prostituam fora do Red Light District, em coimas que podem ascender aos 500 euros. Se esta experiência for bem sucedida, estão previstas mais 3 zonas de prostituição legalizada no EUR. Cristina Latanzzi, habitante local, explica porque apoia este projecto: “O EUR já é, de facto, o 'Red Light District' de Roma, com prostituição em mais de 20 ruas dia e noite; há as ruas dos travestis, as ruas das raparigas mais novas, as ruas da prostituição masculina.

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Nós, os habitantes, precisamos de um pouco de paz”, disse Latanzzi ao jornal La Repubblica.

Esta ideia contou com a oposição dos partidos de centro direita da câmara, de figuras da Igreja e até de algumas pessoas do Partido Democrata, partido de Ignazio Marino. Estima-se que Itália tenha cerca de 100 mil trabalhadores do sexo, metade italianos, sendo que dois terços trabalham na rua. A lei não proíbe a prostituição, mas sim a exploração de casas de prostituição. Pelo menos até Abril.