A Rússia está a executar um conjunto de exercícios militares numa região próximka da fronteira com 
a Estónia e a Letónia. A notícia foi avançada, não por repórteres no local ou responsáveis destes estadps bálticos, mas pelo próprio Ministério da Defesa da Rússia. De acordo com a porta-voz Irina Krouglova, os exercícios consistem no treino de forças aero-transportadas, que deverão simular a captura e destruição de um aeródromo inimigo. Trata-se, portando, de treino para uma acção de ataque a outro país, e não tanto de defesa em caso de invasão.


As manobras envolvem cerca de 1500 militares e vão prolongar-se até ao próximo fim-de-semana. Do outro lado da fronteira, o Ministério da Defesa da Letónia aponta "não ser agradável a presença de militares russos perto da fronteira", embora as autoridades letãs não se mostrem preocupadas. Contudo, a Lituânia anunciou a intenção de voltar a introduzir o serviço militar obrigatório.


Há algumas semanas, foi dito que a Rússia não é uma ameaça para os países da NATO; contudo, a atitude provocatória das forças armadas russas obriga os vizinhos a estarem em alerta permanente. Os exercícios militares surgem na sequência de vários manobras da força aérea russa, que cruzaram não só os céus do mar Báltico mas também de outras zonas do Atlântico Norte. Em resposta, a NATO os seus níveis de vigilância aérea na zona do Báltico. 


Ao contrário do que acontece com a Ucrânia, os países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia) e a Polónia são membros de pleno direito da NATO. Desta forma, uma agressão à sua soberania torna-se mais arriscada, pois uma não-resposta por parte da NATO - como aconteceu em 2014, quando a Rússia anexou a província ucraniana da Crimeia sem oposição internacional - implicaria uma perda de credibilidade muito grande por parte da Aliança Atlântica. Ainda assim, e dada a postura de conflito que a Rússia tem adoptado na Ucrânia, este tipo de exercícios não podem ser vistos como actos conciliatórios, especialmente num momento em que se tenta que funcione o cessar-fogo assinado em Minsk entre a Europa e a Rússia para a guerra civil ucraniana.