A bandeira dos separatistas está já hasteada no prédio mais alto de Debaltseve. Na cidade do leste da Ucrânia as colunas de fumo assinalaram, durante todo o dia de ontem, a destruição de material militar das tropas ucranianas em retirada. A saída ordenada pelo governo de Kiev, ao princípio da manhã, pôs termo à contra ofensiva organizada já depois da assinatura dos acordos de Minsk, que foi dramática até estarem a dezenas de quilómetros de Debaltseve. As tropas ucranianas, entrevistadas por televisões locais, dão conta do clima de horror que viveram, alvejadas a tiro durante todo o percurso. Um dos soldados diz que, após as tropas ucranianas terem saído de Debaltseve, por volta das cinco da manhã, estiveram debaixo de fogo até ao início da tarde.

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Apesar de os canais russos de informação garantirem ter testemunhado a rendição de grupos de militares leais à Ucrânia, centenas de soldados ucranianos poderão ter ficado prisioneiros de guerra. O presidente Petro Poroshenko fez questão de receber os soldados da linha da frente e condecorou os comandantes como heróis ucranianos. Debaltseve sofria, desde o final do ano passado, um cerco em três frentes. Os intensos meses de bombardeamentos arrasaram esta cidade estratégica que já teve vinte e cinco mil habitantes.

Debaltseve é uma cidade estratégica e, caso os rebeldes conseguissem controlá-la, poderiam abastecer mais facilmente o seu território em torno de Donetsk, tendo em conta que fica a meia distância de duas cidades ocupadas pelos rebeldes: Donetsk e Luhansk.

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Para a Rússia, que a Ucrânia e o Ocidente acusam de apoiar militarmente os separatistas, Debaltseve é um pormenor. O presidente Putin garante que o mais importante é salvar os acordos de Minsk e a vida dos soldados ucranianos, garantir que este conflito não gera ainda mais vítimas e tentar impedir que estes acontecimentos não agravem as relações entre as entidades oficiais. O mediador francês e alemão de Minsk condenaram já a conquista de Debaltseve por comprometer as esperanças de paz no leste da Ucrânia.