Na Ucrânia, à meia-noite, o silêncio de artilharia instalou-se na maior parte da linha da frente e durou algumas horas, segundo relatos divulgados na Internet por residentes na zona de conflito. Já na madrugada de domingo, as partes trocaram acusações recíprocas. O ministro da defesa da autoproclamada república de Donetsk declarou que unidades de artilharia ucranianas abriram fogo às duas horas da madrugada locais contra alvos civis em Donetsk e em Lugansk, provocando vítimas. Eduard Bassurin, ministro da defesa dos separatistas, justifica este incumprimento do cessar-fogo dizendo que, para impedir novas vítimas, unidades da república de Donetsk levaram a cabo bombardeamentos ligeiros contra meios de combate do adversário.

Por seu turno, um porta-voz de Kiev comunicou pelo menos dez casos de fogo aberto por separatistas contra posições do exército ucraniano. No início da tarde de domingo, as partes divulgaram comunicados mais consoladores, registando que, à exceção de tiroteios locais, o cessar-fogo está a ser observado. Na véspera, Dmitri Yarosh, o líder do movimento radical ucraniano de direita, declarou que os seus dois batalhões armados não obedecerão ao regime de cessar-fogo, visto que o consideram inválido.

Alguns especialistas em Moscovo continuam céticos em relação a uma paz duradoura, visto que as partes conflituosas mantêm-se bastante divergentes em relação aos seus objetivos. A fronteira entre a Rússia e o leste da Ucrânia continua aberta e fora de controlo por parte das autoridades ucranianas, o que pode anular os esforços de paz, realçam os observadores.

O cessar-fogo faz parte do plano para ultrapassar este conflito localizado nas regiões orientais ucranianas, nomeadamente em Donetsk e em Lugansk. Recorde-se que este conflito começou em Abril do ano passado, tendo já provocado a morte a mais de 6000 pessoas, entre os quais civis e combatentes. A segunda etapa deste acordo passa pela retirada do armamento pesado na terça-feira, e em duas semanas este processo deverá estar concluído.