Após queixa apresentada pelas autoridades croatas e sérvias, o Tribunal Internacional de #Justiça declarou hoje que nem a Sérvia cometeu genocídio contra a Croácia, nem a Croácia contra a Sérvia. Durante a guerra que opôs os dois países entre 1991 e 1995 - segundo a leitura do acórdão em tribunal - foram cometidos diversos crimes, porém as acusações de genocídio quer de uma parte quer de outra são infundadas. Não tinham a intenção de destruir o grupo étnico adversário.

A Croácia acusava a Sérvia de genocídio e exigia o pagamento de uma indemnização pela guerra que durou quatro anos e causou mais 20 mil mortos. O episódio mais sangrento do conflito aconteceu no início do mesmo, em 1991 quando o então exército jugoslavo tomou Vukovar em Novembro: mais de 2500 croatas perderam a vida.

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Durante três meses, os separatistas servos ocuparam a cidade tendo milhares de habitantes fugido da cidade. Mais de duas centenas de homens foram detidos e mais tarde executados.

Um ano depois da acusação croata, foi a vez da Sérvia acusar a Croácia de genocídio. Esta queixa estava relacionada com a contra-ofensiva levada a cabo pela Croácia - ofensiva, essa, que colocou um ponto final ao conflito armado. Com essa ofensiva 200 mil sérvios tiveram de abandonar o país pelo que a Sérvia exigia agora uma indemnização, bem como a proibição de celebrarem o feriado de 5 de Agosto - que comemora exactamente o sucesso da ofensiva.

O Tribunal Internacional de Justiça concluiu, num acórdão que foi hoje lido, que não houve genocídio de nenhuma das partes. Considerou-se que na ofensiva levada a cabo pela Sérvia, não existiu a intenção de destruir o grupo étnico croata mas apenas retirá-los da zona, usando a força.

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Assim como também é certo que os líderes croatas pretendiam expulsar a população sérvia do seu território mas sem que existam provas de que o objectivo fosse destruir essa população.

O genocídio é o crime mais grave dos previstos pela lei internacional, porém é também o mais difícil de provar.