A ascensão do Estado Islâmico (EI) trouxe um clima de terror a todo o Médio Oriente, e não obstante as jogadas nebulosas que possam existir por detrás do seu financiamento e apoio, a verdade é que as suas ameaças parecem voltar-se para todas as potências que possam ter qualquer tipo de interesse na região. Em Março do ano passado, militantes do EI haviam ameaçado atacar o mausoléu de Suleiman Shah, o avô de Osman I, fundador do Império Otomano. Tendo vivido entre os anos de 1178 e 1236, este personagem é uma figura extremamente importante para o povo turco, e num acordo assinado após a Primeira Guerra Mundial, em 1921, o seu local de descanso localizado na margem do Rio Eufrates, 37 quilómetros a Sul da fronteira turca, havia-se tornado no único território ocupado por Ancara fora das suas fronteiras.

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Desde então que a Turquia mantém uma presença militar constante neste enclave bem dentro da Síria. Para contextualizar é preciso explicar que o EI considera idolatria a veneração de locais de descanso de heróis nacionais, e vários foram já destruídos pela organização.

No entanto, a ameaça do EI indicava que um ataque ao local e aos 38 homens que o defendem se daria se Ancara não retirasse totalmente do Norte da Síria. Já em 2012, o polémico presidente turco, Recep Erdogan, havia indicado que qualquer ataque ao mausoléu seria visto como um ataque à própria Turquia e, pois, à aliança da NATO.

As ameaças nunca foram cumpridas, e na noite deste Sábado o exército turco entrou em território sírio de modo a resgatar os seus camaradas cercados pelo EI, assim como os restos mortais de Suleiman Shah e todos os artefactos dentro do mausoléu.

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Segundo o Primeiro-Ministro Ahmet Davutoglu, a Operação Shah Euphrates, nome dado à incursão, contou com mais de 500 militares e quase 100 veículos blindados. Tudo indica que a operação foi um completo sucesso, tendo havido apenas uma fatalidade, aparentemente causada num acidente. O espólio foi colocado num local seguro, dentro do território turco. Espera-se, contudo, que no futuro o mesmo possa ser devolvido ao seu local de descanso original.

Segundo as autoridades de Ancara, o governo sírio havia sido avisado da incursão, mas esta dera-se antes de Damasco a ter autorizado. O facto caiu mal junto de Bashar al-Assad, que condenou o gesto, acusando-o de ser uma violação da soberania síria e que a Turquia teria de lidar com quaisquer consequências que pudessem daí advir. Convém recordar que têm existido confrontos entre tropas sírias e turcas desde o início da Guerra Civil na Síria, sendo o mais conhecido destes incidentes o abate de um caça F-4 Phantom II turco em 2012. #Terrorismo