Se há algo que pode destruir uma reputação é uma acusação de abuso sexual: principalmente quando dirigida a um vencedor do Nobel da Paz. Rajendra Pachauri, que preside ao Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) e é também director-geral do Instituto de Recursos e Energia, venceu o Nobel em 2007, juntamente com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, que é igualmente um membro muito activo no que toca à problemática das alterações climáticas. Pachauri é agora acusado de ter abusado sexualmente de uma mulher de Nova Deli.

Tendo apresentado hoje a sua saída dos dois órgãos referidos acima, o cientista pretende "fornecer toda a ajuda e cooperação que as autoridades necessitam nas investigações que estão a decorrer", informou o seu porta-voz.

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Em causa está a acusação feita por uma mulher de 29 anos, que trabalha no escritório de Pachauri, na Índia (país de origem do Nobel da Paz), suposta vítima de abuso sexual por parte do seu superior. O jornal "The Guardian" revela que a denúncia tem como base várias mensagens (sms e WhatsApp) e emails que a mulher terá recebido.

Com 74 anos, Pachauri é, desde 2002, presidente do IPCC, órgão das Nações Unidas constituído por 194 países e cuja missão é a de combater activamente as alterações climáticas que afectam o nosso planeta. Em 2007, a organização foi galardoada com o Nobel e foi o seu líder a recebê-lo. Tendo já enviado a sua carta de demissão ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, Pachauri pretende assim não prejudicar o órgão e focar-se na defesa das acusações que já negou serem verdadeiras, tendo afirmado que tanto o seu computador como o seu telemóvel foram vítimas de ataques por parte de criminosos.

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A queixa apresentada pelas autoridades indianas merece agora toda a sua atenção. Para o IPCC, questionado sobre a controvérsia pelos meios de comunicação social, "até o caso ser resolvido presumimos a sua inocência". O órgão adopta assim a velha máxima "até prova em contrário", pronunciou Jonathan Lynn, presidente do seu gabinete de Relações Públicas.