A Venezuela enfrenta uma escassez de bens de primeira necessidade. Leite, sabão, óleo, arroz ou açúcar converteram-se, nos últimos meses, num luxo para as cada vez mais vazias despensas dos cidadãos. Além da inflação e de terem de fazer verdadeiros exercícios de malabarismo com os salários, os venezuelanos têm ainda de deslocar-se a vários pontos distintos das cidades e enfrentar longas filas para comprarem produtos básicos como o papel higiénico, uma das principais carências do país, que é um dos grandes produtores de petróleo do mundo. Em Maio de 2013, o governo de Nicolás Maduro anunciou a importação de 50 milhões de rolos para dar resposta à procura, mas a promessa nunca foi cumprida.

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A nação sul-americana poderá agora ver o problema resolvido com a ajuda de Trinidad e Tobago, que lhe oferece papel higiénico a troco de petróleo.

A primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar, que se reuniu com Nicolás Maduro esta terça-feira, confirmou que os laços de "amizade e cooperação" entre os dois países se estenderam. "O intercâmbio de produtos básicos é uma promessa muito significativa para ambos os países", afirmou. As principais exportações de Trinidad e Tobago para a Venezuela vão incluir gasolina, aparelhos de ar condicionado, peças para frigoríficos, cimento e produtos de higiene pessoal, como sabão e papel higiénico. Por seu turno, a Venezuela vai exportar petróleo, combustíveis para aviação, ferro e outros produtos relacionados com este mineral.

A teoria económica da Venezuela é simples.

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A oferta de um produto diminui e a procura aumenta quando os preços são baixos, o que levou a que, em 2013, os produtos regulados pelo governo, com um preço abaixo do de mercado, tenham começado a escassear. Um dos exemplos mais claros foi o que aconteceu em Maio desse ano, quando os expositores dos supermercados, onde deveria estar o papel higiénico, pareciam verdadeiros desertos. Depois de anunciar a compra de 50 milhões de rolos e assegurar que a carência não era mais do que uma campanha mediática da oposição, o governo venezuelano abriu as portas da intimidade do seu povo, revelando que são consumidos 125 milhões de rolos por mês (mais de um por semana, por pessoa).

A promessa não foi cumprida e de nada serviu a ocupação de uma fábrica de papel higiénico nem a restrição à compra em vários pontos de venda, uma vez que, quase dois anos depois, o produto continua a ser uma das maiores carências do país. Na altura, o governo tentou justificar este problema argumentando que os cidadãos comem cada vez mais. "Noventa e cinco por cento dos venezuelanos comem três vezes por dia", disse o presidente do Instituto Nacional de Estatística, Elías Eljuri. #Negócios