Independentemente das tentativas de demonstrar o contrário por parte da NATO e da UE, a verdade é que a posição da Europa em geral em relação à Rússia e à situação ucraniana tem-se revelado fragmentada, com os níveis de apoio da condenação a Moscovo a vacilarem grandemente, mesmo entre aqueles que parecem mais motivados em fazer exatamente isso. Na Europa de Leste esta situação é ainda mais complicada. Com o colapso da União Soviética, em 1991, muitas das antigas repúblicas que formavam essa super-potência voltaram-se para Oeste, em busca de apoio político e económico. No entanto, com o tempo, a fragmentação política da UE, independentemente das tentativas de demonstrar o contrário, e a corrupção extensa trazida pelas décadas subsequentes fizeram com que as populações destes países se tornassem desiludidas com o "sonho europeu".

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Foi no rescaldo destes sentimentos que políticos populistas como o Primeiro-Ministro Viktor Orban, da Hungria, subiram ao poder.

Esta Terça-feira, o Presidente russo Vladimir Putin irá viajar até à capital da Hungria, Budapeste, exatamente para conversar com Orban e para que ambos demonstrem o seu apoio mútuo em diversas questões internacionais. Também irão debater questões relacionadas com fornecimento de energia, nomeadamente a venda de gás russo e a atualização de um reator nuclear. A Hungria tem sido um dos grandes contestatários das sanções impostas à Rússia após o início da Guerra de Donbass, na peugada de outras nações eslavas, e aparentemente esta posição encontrou alguma simpatia por parte de diversos sectores das populações da região, divididas entre a aparente agressão russa, que levou alguns líderes a abrir as portas a tropas da NATO, e a corrupção ocidental.

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Estas divisões internas estendem-se inclusive a nações historicamente antagónicas de Moscovo. A Polónia, que gastou mais de 30 mil milhões de Euros em equipamento militar nos últimos dez anos, incluindo a aquisição de um número considerável de caças F-16 fabricados nos Estados Unidos, tem também uma base de apoiantes russos. Magdalena Ogorek, a candidata presidencial da Aliança da Esquerda Democrática e a principal candidata ao cargo da Esquerda polaca, falou abertamente de uma necessidade de Varsóvia e Moscovo comunicarem mais abertamente e melhorarem as relações, que serão atualmente tépidas, na melhor das hipóteses. Apesar de não demonstrar abertamente simpatia para com Moscovo, representa uma postura de mediação que contraria a atual política polaca em relação ao assunto.

Mesmo a Europa Ocidental está algo dividida. Não obstante a decisão de impor mais sanções à Rússia para pressionar a imposição da paz no Leste da Ucrânia, a verdade é que toda a situação se revelou extremamente prejudicial para as economias europeias, uma vez que Moscovo importava imensos produtos das mesmas, ao mesmo tempo que em troca vendia combustíveis.

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Ainda mais impressionante é o facto de alguns países do leste europeu se revelarem abertamente hostis à presença de tropas da NATO nos seus territórios, como é o caso da República Checa.

A realidade é que por motivos históricos, políticos e económicos, toda a questão ucraniana trouxe ao de cima as já tradicionais divisões entre os estados europeus. Putin certamente que irá aproveitar-se disso, e os líderes da UE ainda não descobriram um modo de chegar a um consenso.