O caso de Jyoti Singh aconteceu em 2012 e chocou o mundo. A jovem de 23 anos, estudante de medicina, foi vítima de violação colectiva quando viajava de autocarro. O grupo de 6 rapazes abusou e torturou a jovem enquanto o autocarro estava em movimento. Jyoti Singh viria a falecer 13 dias mais tarde, num Hospital em Singapura. O #Crime suscitou várias manifestações, não só na Índia, pela defesa dos direitos humanos, mas sobretudo, das mulheres. E o tema não se esgotou, apesar de terem passado dois anos.

"Devia ter-se mantido em silêncio e permitido a violação"

"A filha da Índia" é um documentário da britânica Leslee Udwin que relata toda a história e mostra as manifestações que o crime suscitou.

Publicidade
Publicidade

Falam estudantes, especialistas em saúde e em justiça, mas também um dos condenados. Mukesh Singh explicou o motivo da violação: "Uma mulher decente não anda na rua às 9 da noite". O condenado acrescentou ainda que "uma rapariga é muito mais responsável por uma violação que um homem". E se a violação está explicada, faltava explicar a tortura perpetrada sobre a jovem que acabou por morrer: "Não devia ter-se tentado defender. Devia ter-se mantido em silêncio e permitido a violação".

As declarações de Mukesh Singh chocaram os responsáveis indianos, que decidiram levar o caso a Tribunal, no sentido de proibir a sua exibição. A decisão do tribunal de Nova Deli foi clara: "O documentário "A filha da Índia" contém declarações que causam dano público, quebram a paz e criam potenciais tensões e problemas na ordem pública", disse o porta-voz da polícia Rajan Bhagat.

Publicidade

"O documentário não pode ser transmitido na Índia", afirmou Bhagat. No entanto, a decisão não é extensível aos canais de televisão do país e, por isso, o Ministério de Informação e Transmissões indiano emitiu uma ordem para que não dessem tempo de antena ao filme, que vai ser emitido por canais internacionais.

A BBC será a primeira estação de televisão a pôr no ar "A filha da Índia", no Dia Internacional da Mulher, 8 de Março.No dia seguinte, o documentário de Leslee Udwin vai ser emitido em Nova Iorque, com a presença de atrizes como Freida Pinto e Meryl Streep, que vão lançar uma campanha mundial pela igualdade e contra a violência sexual.