Afinal foi um ataque falhado com um míssil do Hamas - o grupo que controla a Palestina - que matou 11 crianças em Gaza durante o conflito do último Verão. Israel foi severamente condenada a nível internacional pelo ataque, mas a Amnistia Internacional revela agora que foi um ataque do Hamas que atingiu o seu próprio povo. A análise forense indica que a explosão não poderia ter sido causada pelo ataque de um drone ou projécteis vindos de Israel.

"No ataque mais mortal que se crê ter sido causado pelo grupo armado palestiniano durante o conflito, 13 civis palestinianos - dos quais 11 crianças - foram mortos quando um projéctil explodiu ao lado de um supermercado no super povoado campo de refugiados de al Shati, a 28 de Julho de 2014, o primeiro dia de Eid al-Fitr", lê-se no relatório da Amnistia, divulgado no final desta semana.

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Eid al-Fitr é o dia que marca o fim dos jejuns do Ramadão.

"As crianças andavam a brincar na rua e a comprar doces e bebidas no supermercado quando ocorreu o ataque", continua o relatório. "Embora os palestinianos tenham dito que o exército israelita foi responsável pelo ataque, um especialista em munições independente, que examinou as provas disponíveis a pedido da Amnistia Internacional, concluiu que o projéctil usado no ataque foi um míssil palestiniano". O que a análise forense indica é que a cratera era demasiado rasa para ter sido causada por um ataque de drones ou projécteis vindos de Israel e que "a circunferência era demasiado larga para ter sido causada por disparos de tanque".

Na altura, Israel negou que tivesse atacado o supermercado, mas foi violentamente condenada pela morte das crianças.

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Isto apesar de um jornalista italiano que estava em Gaza na altura ter dito publicamente que vários jornalistas no local estavam convencidos de que as mortes tinham sido causadas pelo Hamas. Gabriele Barbati escreveu na sua conta de Twitter "Jornalistas internacionais dizem: sentimos que o massacre no recreio de Shaati de hoje em #gaza foi de míssil falhado do Hamas ou facções". No dia seguinte acrescentou: "O porta-voz do IDF disse a verdade no comunicado emitido ontem sobre o massacre de Shati. Não foi #Israel".

Quando estas mensagens foram descobertas pelo Hamas, Gabriele teve de fugir do território. Já fora, voltou a dar informações no Twitter: "Fora de #Gaza longe da retaliação do #Hamas: um míssil falhado matou as crianças em Shati. Testemunha: militantes correram a limpar os escombros".

Neste relatório da Amnistia Internacional, o Hamas é acusado de crimes de guerra. "Os grupos armados palestinianos, incluindo o braço armado do Hamas, lançaram repetidamente ataque ilegais durante o conflito, matando e ferindo civis", disse Philip Luther, director do Programa do Médio Oriente e Norte de África da Amnistia Internacional, citado pelo britânico The Times.

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"Ao lançar estes ataques, mostraram um flagrante desprezo pelas leis humanitárias internacionais e pelas consequências das suas violações em civis tanto em Israel como na Faixa de Gaza", acrescentou.

A organização também fez referência a algo que os israelitas não se cansaram de apontar durante o conflito, nomeadamente "outras violações das leis humanitárias internacionais pelos grupos armados Palestinianos durante o conflito, tal como o armazenamento de mísseis e outras munições em edifícios civis - incluindo escolas das Nações Unidas", refere o relatório. Noutros casos, os grupos lançaram ataques ou armazenaram munições "muito perto de locais onde centenas de civis refugiados estavam alojados".

Após o fim do conflito, em que morreram cerca de 500 crianças, o Hamas já está a treinar milhares de jovens nos seus campos na Palestina para o próximo conflito. #Terrorismo #Política Internacional