Ao longo desta semana caíram fortes chuvadas em Angola, sobretudo na região costeira (Oeste, voltado para o Atlântico). Os aguaceiros causaram inundações e torrentes de lama, que devastaram várias povoações, e que chegaram a levar o caos até à própria capital, Luanda. No entanto, a região mais afetada foi no município costeiro de Lobito, onde as chuvadas causaram até ao momento 69 mortos, incluindo 36 crianças. Estes números não são definitivos, uma vez que há ainda vários desaparecidos e as autoridades admitiram que mais de 400 famílias ficaram sem casa. Também já declararam que a situação está controlada, e que inclusive forças paramilitares estarão no local para ajudar as autoridades civis nas regiões afetadas.

Publicidade
Publicidade

Convém lembrar que o Lobito é uma região importante em Angola, uma vez que a cidade e a região envolvente contêm mais de 800 mil habitantes, um importante porto comercial, e nódulos de caminhos-de-ferro e outras vias de transporte. Como no resto do país, contudo, a pobreza é omnipresente, sendo muitos lares construções frágeis, que se acumulam em áreas que se tornam extremamente perigosas na época das chuvas (que são extremamente poderosas nos trópicos), como encostas, ou mesmo vales de drenagem.

A pobreza nos países da África Subsariana representa uma tragédia social que, infelizmente, recebe pouca atenção mediática no Hemisfério Norte. Ainda há poucos dias a tragédia trazida pelas águas repetiu-se no Malawi, após um outro incidente que havia causado grande mortalidade no início do ano. O Presidente desse país, Peter Mutharika, já admitiu que não possuía as capacidades para ajudar a sua população, e que estava dependente da ajuda humanitária.

Publicidade

Esta chegou lentamente, e continua a ser demasiado limitada, com o sofrimento da população daquela pequena nação africana a não apenas prosseguir, como também a repetir-se de forma triste todos os anos. É, ainda assim, preciso reforçar que este ano os incidentes fora muito mais graves que no passado recente, com os campos de cultivo nas margens do Rio Shire, os maiores do país, a ficarem destruídos.

Convém ter em mente que a situação é bastante diferente em Angola. Não apenas é o impacto humano menor, pelo menos até ao momento, como, segundo o Secretário de Estado da Proteção Civil, Eugénio Laborinho, todos os esforços estão já a ser feitos para ajudar as populações afetadas pelas cheias desta semana. Laborinho avisa também que o perigo ainda não passou. As chuvadas provavelmente continuarão pelos próximos dias. #Natureza