Após dez meses de um conflito que havia causado a morte de mais de 6000 pessoas e um aumentar preocupante da tensão entre o Bloco Ocidental e Moscovo, o Acordo de Minsk foi aceite no passado dia 12 de fevereiro. Havia a esperança de que as forças governamentais e os rebeldes pro-russos fossem utilizar a acalmia para depor as armas e iniciar o processo para a resolução política do conflito de Donbass. Contudo a tensão mantém-se, e na manhã deste domingo houve uma troca de disparos de artilharia ligeira nos arredores da cidade de Donetsk, onde se deram algumas das mais sangrentas batalhas da guerra até agora, e onde os rebeldes estão solidamente entrincheirados.

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Outras instâncias foram também reportadas em Peski, Logansk e perto de Mariupol.

Não obstante ambas as forças afirmarem terem removido do terreno as suas peças de artilharia pesada, como previsto nos acordos, e da eventual acalmia em toda a frente, a verdade é que episódios destes podem muito bem desestabilizar o processo para o fim do conflito. As forças de Kiev acusaram os rebeldes de terem iniciado a maioria dos tiroteios recentes, e inclusive afirmaram que estes últimos teriam utilizado artilharia proibida pelo tratado. Também declararam que, durante o fim de semana, VANTs rebeldes teriam sobrevoado as suas posições para fins de espionagem.

Também Moscovo demonstra falta de confiança na disposição de Kiev de aceder às concessões previstas em Minsk, declarando que as tropas governamentais também não haviam removido do terreno as suas armas mais pesadas.

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Convém ter em conta que a crise se iniciara, na sua atual forma, após a remoção do anterior presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, do poder durante as manifestações pró-europeias na praça Maidan, em Kiev, e da consequente ocupação da Crimeia por Moscovo. Em consequência desta última ação e do apoio aos rebeldes ucranianos, os países da NATO lançaram uma série de sanções económicas sobre Moscovo, que acabaram por prejudicar as finanças de ambos os lados.

No entanto, certos analistas referem que as ações da Rússia de Vladimir Putin fazem parte de uma estratégia de expansão agressiva que se apresenta como uma reação ao crescimento da NATO para Leste. O Kremlin veria isso como uma tentativa de cercar e isolar a Rússia, colocando o seu futuro em risco. Entretanto Putin assinara um acordo para a integração da Ossétia do Sul, e parte da Georgia que havia sido ocupada após a guerra de 2008. O governo georgino está sob forte contestação do seu próprio povo, que exige a demissão, podendo assim surgirem as condições para futuras intervenções russas.

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Em relação a toda a crise na Europa de Leste, o General da Força Aérea dos Estados Unidos, Philip Breedlove, já se veio declarar como estando a favor da entrega de armas a Kiev. Apresentando desconfiança acerca do valor real dos acordos de Minsk, afirmou que a venda de armas poderia ser tão desestabilizadora como a atual inação. Também nas suas palavras, "os desenvolvimentos militares observados são inquietantes." #Política Internacional