A confirmação de que teria sido o copiloto do voo da Germanwings a provocar propositadamente o acidente que vitimou 150 pessoas originou a resposta célere de várias entidades. O Canadá e algumas companhias europeias de aviação anunciaram desde já a obrigatoriedade da presença constante de duas pessoas no cockpit de forma a evitar situações como a que aconteceu esta semana. À semelhança do que já acontecia com companhias como a Iberia, a Finnair e a low-cost Ryanair, as companhias áreas europeias Easyjet, Norwegian e Icelandair anunciaram que em resposta ao desastre aéreo dos Alpes franceses irão passar a impor que estejam em permanência no cockpit do avião duas pessoas.


No mesmo sentido, também a ministra dos Transportes canadiana veio afirmar que esta medida irá entrar imediatamente em vigor naquele país. Outras companhias europeias decidiram aguardar pelo desenvolvimento das investigações judiciais antes de tomarem qualquer decisão sobre este tipo de procedimentos de segurança adicional. Quem também defende alterações nas regras de segurança dos voos é a federação alemã de transportes. Esta entidade afirma que deve ser obrigatória a presença de dois membros da tripulação no cockpit da aeronave.


Já do lado da Lufthansa, empresa que detém a Germanwings, o presidente do conselho de administração da companhia aérea alemã, Carsten Spohr, afirma que a empresa vai consultar especialistas e autoridades acerca desta matéria, mas não vê necessidade de alteração de procedimentos.


No caso da Autoridade Europeia de Segurança Aérea, não existe regulamentação que imponha que o piloto tenha de ser substituído por um membro da tribulação em caso de necessidade de ter de se ausentar da cabine. No entanto os pilotos estão obrigados a permanecer no cockpit durante a totalidade do voo, excepto em caso de necessidades fisiológicas.


O que diz a caixa negra



Apesar de não serem ainda conhecidas as motivações que terão levado o copiloto Andreas Lubitz a provocar o acidente com o Airbus A320 da Germanwings, muitos têm vindo a rotular o caso como um suicídio. No entanto as autoridades têm alguma resistência em fazê-lo, além de afastarem quase totalmente a possibilidade de se tratar de um acto terrorista.


Segundo as gravações da caixa negra encontrada no local do acidente tudo terá acontecido nos últimos 10 minutos do voo, altura em que o comandante se ausentou e pediu a Lubitz para assumir o controlo da aeronave. Depois disso o comandante nunca mais conseguiu voltar à cabine. No momento em que ficou sozinho no cockpit Lubitz accionou de imediato um mecanismo que provocou que a aeronave começasse a perder altitude a grande velocidade. 10 minutos foram suficientes para que o avião embatesse nas montanhas dos Alpes franceses a cerca de 700km/h.


Ao aperceber-se da perda de altitude o comandante tentou regressar à cabine, pedindo a Lubitz para abrir a porta e tentando até arrombá-la. Segundo as autoridades francesas terá sido Lubitz a impedir que o comandante regressasse à cabine.