A ocupação de quase toda a metade ocidental do Iémen pelas forças rebeldes Houthis, no início de fevereiro passado, deu mote para que a crise nesse país saísse definitivamente fora de controlo, e começasse a envolver mais diretamente o seu grande vizinho a Norte: a Arábia Saudita. O Presidente do Iémen, Abdrabbuh Mansour Hadi, fora forçado a fugir para Áden, onde declarou que se deveriam reunir todos aqueles ainda leais ao regime. Da capital do país, Sana'a, os rebeldes forçaram a sua ofensiva contra este último reduto, tendo esta quarta-feira, dia 25, conseguido ocupar áreas importantes em redor de Áden, incluindo bases militares e o aeroporto.

Publicidade
Publicidade

No entanto, este desenrolar dos acontecimentos não é desejável para Riade, uma vez que os Houthis pertencem à fação Xiita da religião islâmica e são suportados por Teerão. Já o governo de Hadi e a maioria dos iemenitas são tendencialmente Sunitas e, logo, simpatizantes da Arábia Saudita e seus aliados.

Observando assim o Irão a criar um posto avançado na sua retaguarda, o governo de Riade reagiu vigorosamente, tendo iniciado esta noite uma ofensiva em grande escala contra os rebeldes Houthis, denominada Operação "Tempestade Resoluta". A Arábia Saudita é suportada por mais 9 países aliados, incluindo os Emiratos Árabes Unidos, o Kuwait, o Bahrain, o Qatar, a Jordânia e o Egito, e conta ainda com o apoio logístico dos Estados Unidos da América, apesar de Washington já ter declarado que não iria agir diretamente.

Publicidade

Os ataques aéreos iniciaram-se às 23 horas de Lisboa, e, pouco tempo depois os blindados sauditas já teriam atravessado a fronteira.

Foi o embaixador saudita nos Estados Unidos, Adel al-Jubeir, quem anunciou os ataques, declarando ainda que Riade tudo faria para defender o governo legítimo no Iémen. Convém ter em conta que já na passada terça-feira, dia 24, o Presidente Hadi estaria a trabalhar num documento que permitiria a intervenção de qualquer país a favor do seu governo, utilizando quaisquer meios ao seu dispor. Por outro lado, um porta-voz dos rebeldes, Mohammed al-Bukhaiti, afirmara que esta intervenção arriscava expandir a guerra iemenita a níveis imprevisíveis. Entretanto o grupo já havia colocado a prémio a captura de Hadi.

A verdade, contudo, é que assim se arrasta o maior exportador de petróleo do mundo para uma guerra feroz e certamente longa. O preço do barril de crude tem vindo a diminuir constantemente ao longo do último ano, mas uma situação destas irá certamente inverter a tendência, como já sucedeu no passado. O valor dessa inversão ainda estará para se ver.

Publicidade

Mais imprevisível, de momento, é a reação de Teerão. Analistas já declararam que esta ofensiva poderá neutralizar os ganhos feitos no acordo nuclear iraniano, que tantas dores de cabeça tem dado aos líderes internacionais.

No terreno a situação mantém-se confusa. Veja-se que os Houthis não estão a ser pressionados apenas pelo Oeste (forças leais ao Presidente Hadi) e pelo Norte (coligação liderada por Riade), mas também pelo Leste. Grupos rebeldes jihadistas dominam a metade oriental do Iémen, e apesar de serem tendencialmente ligados à al-Qaeda, informações recentes indicam que os afiliados locais do Estado Islâmico poderão estar a impor-se na região. #Terrorismo #Política Internacional