Os militantes do Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque emitiram um novo conjunto de leis que a população deve seguir. Um guerrilheiro chamado Abu 'Umar al-Masri, que alegou estar em Raqqa, capital do EI na Síria, publicou no Twitter fotografias dos panfletos onde estão escritas as fatwas (regras baseadas na lei islâmica) impostas aos residentes nas últimas semanas. As 32 páginas, que têm no cabeçalho o logótipo da organização jihadista a preto e branco, oferecem uma detalhada explicação de cada uma das bizarras regras ditadas pelo líder do grupo terrorista, Abu Bakr al-Baghdadi. A sua leitura permite ter uma pequena noção do que é a vida sob o brutal e obsessivo controlo do EI.

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Entre os "mandamentos" mais estranhos está a proibição dos homens dizerem palavrões durante jogos de bilhar ou matraquilhos e informação sobre em que circunstâncias é que as mulheres podem pintar as sobrancelhas de loiro ou andar com metralhadoras por baixo do nicabe. Todas as regras estão numeradas e datadas e crê-se que as 32 conhecidas fazem parte de um grupo de cerca de 70 novas fatwas implementadas pelo EI em 2015. Os papéis estão escritos em arábico e endereçados à população local, o que leva o site de análise terrorista Jihadica a concluir que se destinavam a uso local e não a propaganda. Deverão ter sido redigidas pelo Conselho Oficial da Sharia (lei islâmica) do EI, ao qual até o próprio al-Baghdadi responde. O Jihadica acredita que o seu autor foi o líder do conselho, Turki al-Bin'ali.

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Foram passadas à população em formato de pergunta e resposta e distribuídas entre Dezembro e Fevereiro.

As fatwas são altamente burocráticas e impõem aos combatentes que entreguem aos oficiais do grupo um quinto de todo o dinheiro e artigos pilhados, deixam claro que os guerrilheiros não podem abandonar o território controlado pelo EI em qualquer circunstância e proíbem as mulheres de mostrarem os olhos. A leitura de algumas das regras pode ser angustiante, como uma que justifica as execuções levadas a cabo pelos jihadistas, que queimaram os "infiéis" até à morte, porque o profeta Maomé ordenou que os olhos dos inimigos fossem arrancados com ferros em brasa.

Há leis de carácter administrativo, sobre as compensações a que os cidadãos têm direito, outras que explicam como as mulheres se devem vestir e outras ainda que referem o quão doente uma mulher tem de estar para poder ver um médico (homem). Apesar de rumores que apontavam o contrário, as novas fatwas reiteram que a emissão de passaportes está proibida, uma vez que permitiriam aos cidadãos "viajar para as terras de não crentes".

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Numa nota mais leve, bilhar e matraquilhos são permitidos, mas em condições muito restritas e com um aviso de que Deus não gosta de actividades tão triviais. Os bonecos dos matraquilhos não devem, contudo, ter formas humanas. Aliás, a criação de qualquer coisa que imite homens ou animais está completamente banida. Uma das regras confirma, aparentemente, as notícias que davam conta do esquema do EI para traficar órgãos. "É permitido transplantar órgãos saudáveis do corpo de um apóstata para o corpo de um Muçulmano para salvar a vida do último ou melhorar a sua condição se ele tiver perdido órgãos", lê-se no texto.

É perfeitamente aceitável que as mulheres andem com metralhadores por baixo da roupa, desde que não alterem as formas do seu corpo, tornando-as mais tentadoras para os homens. Pelo contrário, o uso de roupas ocidentais é proibido, para não "imitar os infiéis". Uma surpreendente lei impede os homens de trocarem irmãs ou filhas para casarem, aparentemente porque "é uma injustiça para a noiva". O EI exige que a noiva dê a sua permissão para o casamento. #Terrorismo