Zaur Dadayev, um dos dois suspeitos acusados pelo assassinato do político da oposição russo Boris Nemtsov, terá confessado o #Crime sob coação, declarou um membro do Conselho de Direitos Humanos da Rússia. Andrei Babushkin, que visitou Dadayev na terça-feira, dia 10, diz ter visto "vários ferimentos" no corpo do detido, o que indica que terá sido torturado. Segundo a BBC News, citando Babushkin, o suspeito afirmou ter confessado o crime apenas para que um amigo, preso juntamente com ele, fosse libertado.

Nemtsov, antigo primeiro-ministro russo, foi morto a tiro no dia 27 de Fevereiro quando caminhava com a namorada perto do Kremlin.

Publicidade
Publicidade

No ano passado, já tinha contactado as autoridades russas depois de ser alvo de ameaças de morte na sua página no Facebook. Num pedido oficial para que fosse realizada uma investigação - cuja cópia foi recentemente publicada pela revista semanal russa The New Times - Nemtsov disse acreditar que as ameaças estavam relacionadas com a sua posição sobre o conflito na Ucrânia.

O político escreveu no documento que não conhecia pessoalmente o autor das ameaças, mas "tendo visto o suficiente sobre a propaganda do [Presidente] Putin, bandidos extremistas russos poderiam levar a cabo qualquer provocação, incluindo actos de violência e assassinato". A polícia em Yaroslavl, a norte de Moscovo, onde Nemtsov foi membro do parlamento local, recusou o seu pedido em Setembro.

À procura de um motivo

Investigadores russos estão ainda a apurar o motivo por detrás do crime.

Publicidade

Zaur Dadayev e Shagid Gubashev, ambos de origem chechena, foram acusados no domingo pelo assassinato de Nemtsov. Três homens, alegadamente ligados ao caso, encontram-se também detidos. Depois de visitá-los na prisão, na quarta-feira, dia 11, Babushkin declarou que havia "razões para crer que Zaur Dadayev confessou sob tortura". O membro do Conselho de Direitos Humanos da Rússia pediu ainda que "pessoas que não estejam envolvidas na investigação" analisem a sua reivindicação. Desde então, investigadores russos têm solicitado que os activistas de direitos humanos não se intrometam na investigação.

Segundo um comunicado do Comité de Investigações, a visita à prisão por parte de Andrei Babushkin terá sido organizada com o único objectivo de estabelecer as condições de confinamento. Durante a visita, Dadayev mostrou marcas de algemas e cordas em torno das suas pernas e que lhe terão sido colocadas após a sua captura no sábado, na Ingushetia. O suspeito disse que pretendia contar, durante uma audiência no tribunal que ocorreu no domingo, os motivos para a sua confissão, mas que não lhe foi dada uma oportunidade para falar.

Publicidade

Shagid Gubashev continua a afirmar a sua inocência. O segundo suspeito disse que se encontrava na Chechénia quando soube que o seu primo, Dadayev, tinha sido detido na vizinha Ingushetia. Segundo o seu relato, Gubashev deslocou-se imediatamente para lá e foi detido assim que chegou. Ele contou também que foi espancado e que lhe foi colocado um saco sobre a cabeça, o qual só foi retirado depois de chegar a Moscovo.