Homens armados mataram 13 passageiros que viajavam num autocarro em direcção ao sul do Afeganistão, na terça-feira, dia 23, informaram as autoridades afegãs, citadas pela Al Jazeera. O mais recente ataque para atingir civis no país em conflito ocorreu na província de Wardak, perto da capital de Cabul, demonstrando a actual fragilidade da segurança no Afeganistão. Ao mesmo tempo, o presidente afegão Ashraf Ghani mantém conversações em Washington. Com a temporada de combates durante a primavera prestes a começar, Ghani pediu aos EUA que tenham "flexibilidade" ao retirar os seus restantes 10.000 soldados até ao final de 2016.

Ataullah Khogyani, porta-voz do governador provincial, disse à AFP que um grupo de homens armados abriu fogo contra um autocarro em Wardak, por volta da 01h00 da manhã, hora local (20h30 hora de Lisboa), matando 13 pessoas, incluindo uma mulher.

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O autocarro dirigia-se para a cidade de Kandahar, no sul do país, outrora um bastião dos taliban. Mohammad Ali, vice-governador da província vizinha de Ghazni, confirmou o incidente e disse que os atacantes escolheram as suas vítimas e executaram-nas uma a uma. Ambos os membros do governo declararam que o motivo por detrás do ataque está ainda a ser investigado. No mês passado, atacantes mascarados sequestraram 30 membros xiitas do grupo étnico Hazara que se encontravam num autocarro na província de Zabul. Até agora ainda não foram encontrados.

A NATO terminou a sua operação de combate contra os taliban em Dezembro de 2014, após 13 anos de guerra, deixando as forças afegãs a lutar sozinhas contra os combatentes. Um contingente de menor dimensão de soldados estrangeiros, a maioria norte-americanos, permanece no Afeganistão para treinar o exército afegão e realizar operações antiterroristas.

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Contudo, tem havido receios de que as forças afegãs terão dificuldades em pôr fim ao conflito no país sem a ajuda da força militar da coligação da NATO liderada pelos EUA. O Pentágono afirma que o exército do Afeganistão está a obter resultados na luta, mas altos dirigentes norte-americanos dizem estar preocupados com o número de baixas "insustentável" que as forças afegãs estão a sustentar.

Antes de partir para Washington, Ghani alertou para uma temporada "difícil" de combates durante a primavera e disse que o seu governo estava a trabalhar arduamente para criar condições que permitissem negociar com os taliban. Mas estes esforços estão a mostrar-se infrutíferos, apesar das tentativas de Ghani para trazer a bordo potências regionais influentes como o Paquistão, uma vez que os taliban continuam a impor condições difíceis para as negociações. Existe também uma preocupação crescente em relação à influência do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). Embora o grupo com sede no Médio Oriente não tenha confirmado oficialmente que está a operar a partir do Afeganistão, vários comandantes afegãos e paquistaneses têm jurado lealdade ao EIIL nos últimos meses. #Terrorismo