Desde 2009 que o campo de refugiados de al-Mazrak, situado na província de Hajja, no noroeste do Iémen tem servido para receber refugiados que fogem dos combates que há décadas assolam o país. Esta segunda-feira o campo foi atingido por um ataque que causou 45 mortos até ao momento, havendo ainda notícias de 65 feridos, embora a Organização Internacional para a Migração tenha informado que os números poderão ainda aumentar. Ainda não se sabe ao certo qual é a natureza do ataque, já que algumas fontes referem que se tratou de um ataque aéreo, enquanto que o governo iemenita, evidentemente parcial em relação ao assunto, referiu que se tratou de uma salva de artilharia disparada pelos rebeldes Houthis.

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Desde a noite de quinta para sexta-feira passada que as forças da coligação liderada pela Arábia Saudita têm lançado uma série de ataques aéreos sobre os rebeldes Houthis, que assumiram o controlo da capital do Iémen, Sana'a, em fevereiro passado. O governo liderado pelo Presidente Abdrabbuh Mansour Hadi refugiou-se então em Áden, na costa Oeste do país, mas os rebeldes mantiveram a pressão, atacando esse último reduto. Tendo em conta que os Houthis são patrocinados pelo governo de Teerão, inimigo de Riade, a Arábia Saudita decidiu agir, inclusive escondendo detalhes das suas intenções de Washington até ao último momento.

Os ataques aéreos desta coligação centraram-se sobretudo na capital, e nas colunas de homens e material que se dirigem para Áden, tentando assim degradar as capacidades de comando e suporte dos Houthis.

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No entanto, os líderes do governo iemenita, refugiados na capital da Arábia Saudita, já informaram que acreditam que apenas uma ação terrestre poderá dar o golpe final nos rebeldes. Talvez para esse efeito, existem cerca de 140.000 tropas sauditas na fronteira entre as duas nações.

Também se fala da formação de um exército combinado árabe, uma força que o Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, descreveu como podendo vir a ser composta de 40.000 militares altamente treinados e preparados para agir rapidamente contra as milícias jihadistas que assolam o Médio Oriente e o Norte de África. Estaria sob o controlo da Liga Árabe, e certamente que as ações do Estado Islâmico, e agora dos rebeldes Houthis, tiveram um papel na sua génese. No próximo mês dar-se-ão negociações acerca da composição exata e formação desta unidade.

Ainda no contexto do duelo entre sauditas e iranianos, creio ser de relevo indicar que a Liga Árabe é uma organização sobretudo Sunita, conquanto o Irão, que não é parte da Liga, é uma nação Xiita. O confronto entre ambos os grupos está neste momento a dar-se, de modo indireto, no Iémen, e já teve repercussões. Porta-vozes de ambos os lados do conflito já avisaram que existe um risco muito real de escalada da violência. Washington e Moscovo, entretanto, temem que a situação faça descarrilar as negociações nucleares com o Irão. #Terrorismo #Política Internacional