Pelo menos 126 pessoas morreram e muitas mais ficaram feridas na sequência de três ataques suicidas a duas mesquitas em Sana, capital do Iémen, segundo os relatos mais recentes. Fiéis encontravam-se nas mesquitas de Badr e al-Hashoosh para as orações do meio-dia quando foram surpreendidos por pelo menos três atacantes. Imagens de televisão mostraram corpos deitados sobre poças de sangue à porta das mesquitas, enquanto várias pessoas apressavam-se a transportar os feridos para o hospital.

Estas mesquitas são usadas sobretudo pelos apoiantes do movimento rebelde Houthi, de origem Zaidita xiita, que actualmente controla Sana.

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Existem tensões profundas entre os rebeldes e vários grupos armados, entre eles militantes da Al-Qaeda. O Estado Islâmico (EI), que criou uma sucursal no Iémen em Novembro, disse estar por detrás dos ataques, tendo publicado um comunicado do grupo em várias contas do Twitter consideradas fontes de propaganda do EI fidedignas. Se a informação for confirmada, estes serão os primeiros ataques levados a cabo pelo Estado Islâmico no Iémen.

Segundo testemunhas, citadas pela BBC, pelo menos dois bombistas suicidas atacaram a mesquita de Badr, no sul de Sana. Um deles entrou pelo edifício e detonou o explosivo entre dezenas de fiéis, contaram também testemunhas. Os sobreviventes tentaram imediatamente escapar pelos portões principais, onde o segundo homem aguardava. Um indivíduo que se encontrava na mesquita de al-Hashoosh, num bairro do norte da capital, disse que foi projectado cerca de 2 metros pela explosão.

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"As cabeças, as pernas e braços de pessoas mortas estavam espalhados pelo chão da mesquita," relatou Mohammed al-Ansi, citado pela agência de notícias Associated Press, acrescentando que o "sangue corria como um rio". Mohammed al-Ansi contou também que muitos dos que sobreviveram à explosão ficaram seriamente feridos devido aos estilhaços de vidro que caíram das janelas da mesquita.

Mais de 260 pessoas terão ficado feridas durante o ataque. Segundo a Al-Masirah, os hospitais da cidade fizeram um apelo urgente para doações de sangue. De acordo com os relatos, outro bombista suicida pretendia atacar uma mesquita situada no norte da cidade de Saada, um reduto Houthi, mas foi apenas o atacante que morreu. O Iémen é a base da Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), uma organização militante islâmica que opera sobretudo no Iémen e na Arábia Saudita, e que está subordinada à rede jihadista que tem realizado ataques suicidas semelhantes a apoiantes do grupo Houthi. Contudo, o Estado Islâmico também está a ganhar terreno no país.

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Os ataques ocorreram um dia depois dos confrontos mortais no sul da cidade de Aden, entre as forças leais ao presidente Abdrabbuh Mansour Hadi e aqueles que apoiam o seu antecessor, Ali Abdullah Saleh. Aviões de guerra tiveram como alvo o palácio presidencial em Aden, para onde Hadi se refugiou depois de fugir no mês passado para Sana, quando os rebeldes o puseram sob prisão domiciliária. O presidente, cujos assessores dizem ter sido evacuado para um "local seguro" após o ataque aéreo, descreveram os acontecimentos de quinta-feira, dia 19, como um "golpe militar falhado contra a legitimidade constitucional".

Saleh foi forçado a entregar o poder a Hadi em 2011 após protestos em massa, mas manteve-se activo como intermediário de poderes. Actualmente, é um aliado dos Houthis, contra quem lutou várias guerras quando era presidente. #Terrorismo