O periódico Nature publicou esta quarta-feira, dia 11, um novo estudo que renova as especulações dos cientistas sobre a possibilidade de subsistir vida na lua de Saturno Enceladus. Os cientistas anunciaram que podem existir nascentes de água quente nas profundidades do oceano que se encontra sob a crosta gelada do satélite natural. As novas evidências resultaram da descoberta de grãos de poeira salgados em erupção do oceano. Esta é a terceira condição que leva os astrónomos a crer que a lua de Saturno é um dos locais do sistema solar com maior probabilidade de existência de vida extraterrestre, depois de no ano passado terem confirmado a existência de um oceano em estado líquido composto por químicos orgânicos.

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No maior anel de Saturno, o E, foram encontrados, há já vários anos, poeiras que se acredita serem provenientes dos géiseres que expelem a partir das fissuras localizadas na superfície de Enceladus. Por sua vez, esses mesmos géiseres são alimentados pelo oceano que se encontra no subsolo, cuja existência foi confirmada pela sonda Cassini, em 2014, numa missão conjunta da NASA, Agência Espacial Europeia e Agência Espacial Italiana, que teve início em 2004.

Essas partículas de poeira microscópicas mostram elevados níveis de dióxido de silício, apontando para a possibilidade de existir água do mar a circular por ventilações de pedra no fundo do oceano da lua. Isto significa que existe atividade hidrotermal em curso em Enceladus, "isto é, interacções entre água e pedra" e, como tal, uma fonte de energia, confirma Hsiang-Wen Hsu, da Universidade do Colorado em Boulder, e principal autor do artigo.

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Esta é a primeira vez que se encontra atividade hidrotermal fora da Terra.

O investigador Gabriel Tobi, da Universidade de Nantes, em França, em comentário ao artigo, afirmou que este tipo de ambiente é o mesmo "que pode ter sido o local de nascimento dos primeiros organismos na Terra", modelo que ficou conhecido como "Cidade Perdida". Esta consiste numa série de cavernas de calcário, localizadas no Atlântico e encontradas no início de 2000, com cerca de 60 metros de altura, que ejetavam fluídos compostos por hidrogénio e metano, criando condições para a sobrevivência de microrganismos. As ventilações da lua de Saturno parecem ser do mesmo tipo e, como tal, libertam hidrogénio e metano, que possibilita a sobrevivência de micróbios.

A descoberta de nascentes de água quente, através das poeiras salgadas provenientes deste tipo de ventilação semelhante à da "Cidade Perdida" não significa que existe, de facto, vida em Enceladus, mas, pelo menos, parece haver condições para tal. "Então, o que podemos estar a falar é deste hidrotermalismo percolar quente que pode ser um excelente ambiente para qualquer vida que possa existir, ou um excelente ambiente para a origem da própria vida", afirmou Kevin Hand do Laboratório Jet Propulsion da NASA.

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A agência espacial norte-americana está a preparar uma missão robótica com o objetivo de explorar o oceano de uma das quatro luas de Júpiter, a Europa, que, tal como no satélite natural de Saturno, se localiza sob a crosta gelada. Se esta missão for bem-sucedida, o próximo passo é enviar uma missão exploratória a Enceladus.