Desolação é a palavra que define a vida em Avdievka, onde muitos edifícios foram atingidos pelos bombardeamentos, tendo a maioria dos habitantes abandonado a cidade. Para os que permaneceram, é impossível viver neste local devido ao clima de guerra na Ucrânia. Uma habitante revela que não tem água desde o verão, que a eletricidade foi cortada há cerca de mês e meio e que também não tem aquecimento.

Cercada por postos de controlo, Avdievka fica a pouco mais de uma dezena de quilómetros do aeroporto de Donestsk e está em território controlado pelo governo da Ucrânia, passando a ser um alvo desde que os separatistas tomaram o aeroporto.

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A cidade ficou na linha da frente e por lá têm-se ouvido vários tiros de artilharia. Tiros, esses, que causam o terror entre a população, para além de causarem muitos estragos, nomeadamente a queda de vidros em habitações.

O lixo acumula-se nas ruas, o comércio está quase todo fechado e uma das maiores fábricas da europa, de produtos com alto teor de carbono para produção de aço de alta qualidade, apesar de já ter sido atingida, está a funcionar a 20% porque parar os fornos significa problemas e prejuízos. Alguns dos habitantes que permaneceram em Avdievka trabalham nessa fábrica e uma das trabalhadoras, em entrevista, deixa uma mensagem: "é preciso pensar muito bem antes de tentar mudar alguma coisa, pois é a melhor forma de evitar consequências".

O sofrimento causado pela guerra leva as pessoas a dizer que sentem menos segurança devido à proximidade das forças militares da Ucrânia.

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Muitas destas pessoas quando vêm jornalistas ficam assustadas, isto porque a experiência diz-lhes que depois da cidade aparecer nas notícias a noite seguinte é de bombardeamentos. Este local não pode ser caracterizado como uma cidade fantasma mas bem que o podia ser, uma vez que as ruas estão praticamente desertas. A cidade que tinha cerca de 50 mil habitantes está reduzida a 5 mil. a maioria fugiu com receio da guerra e para trás deixaram tudo o que tinham, pois o medo de ficar neste local foi maior do que partir em busca do desconhecido.