Silvio Berlusconi é uma figura que já marcou a sua presença nos anais da história: se não for pelas suas políticas é pelo facto de já ter escapado à lei mais de uma dezena de vezes. O caso que ficou conhecido em 2010, envolvendo Berlusconi num escândalo de abuso de poder e prostituição com uma menor, terminou terça-feira 10 de Março, com a decisão definitiva que abona por completo a favor do ex-primeiro-ministro de Itália. O político foi considerado inocente pelo equivalente ao nosso Supremo Tribunal de #Justiça.

Para quem não se recorda, o "Rubygate" veio a público quando a marroquina Karima El-Mahgroub, dançarina exótica mais conhecida pelo nome artístico Ruby Rubacuori, foi detida por roubo, em 2010.

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Quando se soube que a menor foi libertada devido à pressão de Berlusconi foi descoberta a ligação deste à jovem de 17 anos. Na altura conhecido homem de luxúria, o empresário teria pago a Ruby por relações sexuais, numa das luxuosas festas que organizava na sua casa em Milão. Sendo sabido que essas festas envolviam todo o tipo de prazeres humanos, o escândalo maior foi o facto de Ruby ter 17 anos. Ou seja, falamos de prostituição infantil e de posterior abuso de poder para esconder o caso.

Em Junho de 2013, Berlusconi foi considerado culpado e condenado a sete anos de prisão, mas cerca de um ano depois, após apresentação de recurso, a decisão foi anulada. E o governante foi absolvido, porque o Tribunal de Milão decidiu que o mesmo não tinha abusado do seu poder e que a acusação de incitação à prostituição infantil não era delito.

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Agora esta decisão foi reforçada. E como a justiça não permite mais recursos, é assim definitiva. Berlusconi foi considerado inocente, após nove horas de deliberação final.

A vantagem vem mesmo a calhar, numa altura em que o político tenta promover o seu partido, Forza Italia, para as eleições regionais de Maio. O mesmo sempre gritou inocência, dizendo que nunca pagou nem teve relações sexuais com a menor, e que tudo não passava de uma "caça às bruxas" motivada por questões políticas.

O Supremo Tribunal italiano parece ter concordado com Berlusconi, mas apesar desta absolvição a sua fama mantém-se. E manter-se-á para sempre. A fama de homem de luxo e luxúria (aliás, fama estereotipada dos italianos, mas que pode estar a morrer), de constantes corrupções e de fuga à lei por frequentes abusos de poder. Desde 1994, o governante já esteve envolvido em cerca de duas dezenas de processos, com as mais diferentes acusações: subornos, falsos testemunhos, corrupção de senadores, prostituição infantil, abuso de poder. E só foi condenado uma vez, em 2013, por fraude fiscal (com a sentença de um ano de serviço comunitário). É de suspeitar.