O Boko Haram, movimento militar islamita do nordeste da Nigéria, divulgou esta terça-feira um vídeo de estrutura e edição semelhantes aos do Estado Islâmico. De acordo com a Reuters, são apresentados dois alegados espiões, que são forçados a falar para a câmara, sendo depois mostrados os seus cadáveres decapitados. O jornal Público salienta que o Boko Haram nunca havia mencionado qualquer ligação ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Contudo, o líder do movimento africano, Abubakar Shekau, já havia declarado a constituição de um "califado" ("estado islâmico") nas áreas por si controladas.


O Boko Haram bate-se pela aplicação da lei islâmica, na sua forma mais radical e extremista, nas áreas por si controladas. Não espanta, portanto, a violência das decapitações demonstrada e "editada" no vídeo referido pela Reuters. Em todo o caso, esta demonstração bárbara e radical poderá ser um reflexo das derrotas militares no terreno, como forma de amedrontar os inimigos. A ofensiva coordenada pelos governos do Chade, Camarões e Níger tem provocado danos e perdas consideráveis ao movimento islamita. 


Responsáveis dos exércitos destes 3 países, ainda de acordo com a Reuters, têm criticado a Nigéria pela sua inação e apatia no combate aos islamitas, que se refugiram em território nigeriano. Aparentemente, o presidente Goodluck Jonathan, em plena campanha eleitoral - o escrutínio está marcado para o próximo dia 28 de Março - preferia uma grande vitória militar exclusiva do seu exército, em vez de participar numa acção conjunta. As críticas dos 3 vizinhos da Nigéria provam que o Boko Haram ainda não é suficientemente ameaçador para que a sua erradicação se sobreponha a quaisquer outros interesses políticos. 


Em todo o caso, o panorama é bem mais negativo para o "braço africano" do Estado Islâmico do que era em 2014. Organizados e mobilizados, os exércitos governamentais têm obtido várias vitórias contra os islamitas, que estão agora sem qualquer acesso a recursos fora da Nigéria. Caberá ao governo de Lagos um papel importante no prosseguimento das operações.