No rescaldo da Primavera Árabe, que se iniciou em 2011, a Tunísia, epicentro do movimento, fora vista como o mais bem-sucedido exemplo do mesmo. Havia conseguido fazer uma positiva passagem do regime antigo para a democracia, certamente baseada na proximidade geográfica e cultural para com a Europa, não obstante a religião islâmica. O ataque da semana passada, que levou à morte de 23 pessoas, certamente que deixou uma nuvem negra a pairar sobre esses sucessos. Convém ter em conta que a indústria do turismo é uma fatia extremamente importante da economia tunisina, e estragos nesse sector prejudicariam as finanças nacionais. O plano dos jihadistas certamente que envolverá o caos a nível nacional e o consequente colapso económico, como sucedera no Egipto em 1997, o que apenas fortaleceria os seus planos.

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Apoiadas por um surpreendente consenso popular, as autoridades tunisinas lançaram rapidamente uma campanha para encontrar e capturar quaisquer indivíduos ligados a ações terroristas. Também fortaleceram as patrulhas nas esparsamente habitadas zonas fronteiriças, especialmente junto da Líbia, zona que militantes e jovens tunisinos atraídos pelos ideais do Estado Islâmico atravessariam com alguma frequência. Foi criada uma zona de circulação proibida com 2 quilómetros de profundidade junto à fronteira, seguida de uma zona de movimentação controlada que se estende por mais 12 quilómetros. Existem agora postos de controlo com guardas pesadamente armados em todas as estradas, como reportou uma equipa da CNN que viajou pela região.

É nesta região, um pouco mais para o interior, que fica a aldeia de Tataouine, mais conhecida por Tatooine, famoso planeta do franchise 'Guerra das Estrelas'.

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Foi nesta região que o realizador George Lucas filmara as cenas passadas na aldeia natal do protagonista, Luke Skywalker, trazendo fama internacional à pequena localidade, que se tornou num importante foco turístico. Tropas tunisinas agora patrulham as redondezas, o que não cai bem junto dos poucos turistas que ainda arriscam viajar tanto para o Sul. No início deste mês, estes militares haviam preso 3 jovens que se haviam alistado numa rede terrorista, e também um vasto depósito de munições ilegal.

Contrariamente ao que sucedera na Tunísia, a Líbia não conseguiu estabelecer um regime estável. Após a longa guerra civil que derrubou o regime de Gaddafi, as vastas áreas desérticas do Sul do país haviam ficado nas mãos de diversas fações, impossibilitando qualquer estabilização da situação. A tensão atingiu novos níveis durante o ano passado, com o Parlamento e o Congresso Nacional a atacarem-se um ao outro, iniciando uma nova guerra civil. No caos subsequente o Estado Islâmico arranjara modo de criar bases na Líbia, utilizando-as para expandir a sua influência mais para Ocidente.

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A organização jihadista já declarou que deseja criar um novo Califado que se expandiria através do Cáucaso, Médio Oriente, Norte de África e Sul da Europa, incluindo Portugal. Estabelecer bases na Tunísia seria apenas mais um passo nesse sentido.

Em Tataouine, os militares vigiam o deserto, esperando conseguir manter os turistas, e por conseguinte, o seu país, protegidos desta crescente ameaça. #Terrorismo