Cerca de 500 mulheres e crianças foram sequestradas pelo Boko Haram em Damasak, no norte da Nigéria. A informação foi dada esta terça-feira, dia 24, pelos habitantes locais aos jornalistas, e ocorreu depois da cidade ter sido libertada da influência do grupo terrorista pelas tropas internacionais. Desde meados de fevereiro que o governo nigeriano tem contado com o apoio dos militares dos países vizinhos, Chade e Níger, reconquistando o controlo de vários pontos do norte da Nigéria, ao reduzir o número de governos sob o controlo do Boko Haram. Este sequestro em massa ocorreu menos de um ano depois do rapto de 300 meninas, em abril passado, e nas vésperas das eleições no país marcadas para o próximo sábado.

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Em entrevista à Reuters, um residente da cidade de Damasak, Souleymane Ali, explicou: "Eles levaram 506 mulheres jovens e crianças. Dessas, mataram cerca de 50 antes de saírem. Não sabemos se mataram outras depois, mas levaram o resto com eles". A mulher e as três filhas de Ali estavam entre as mulheres levadas: "[o Boko Haram] disse 'Elas são escravas, por isso vamos levá-las, porque nos pertencem'".

Desde o passado mês de fevereiro que o governo nigeriano, que conta com o apoio do Níger e do Chade, tem conduzido diversas ofensivas para libertar o norte do país das mãos do grupo de terrorista, apresentando resultados positivos. Dos 20 governos locais sob o controlo do Boko Haram no início do ano, já só restam 3, segundo a Nigéria. No entanto, a paz ainda está longe de chegar ao país africano.

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Os habitantes locais mostram-se inseguros com a falta de apoio militar: "As mulheres e crianças foram sequestradas na cidade depois da chegada das tropas. Os soldados não são suficientes para proteger toda a gente", afirmou Aminu Musa, outro residente local.

O Boko Haram foi fundado em 2002, com o objetivo de estabelecer um califado no norte da Nigéria, tendo também atividade no Niger, Chade e norte dos Camarões. Desde o ano passado que apoia o grupo de jihadistas do Estado Islâmico, com quem formalizou uma aliança em março de 2015. No passado ano chamou a atenção internacional depois de sequestrar cerca de 300 meninas, mobilizando protestos em todo o mundo. O novo sequestro em massa ocorre dias antes das eleições presidenciais na Nigéria, marcadas para este sábado, que opõem o atual presidente, o cristão Goodluck Jonathan, ao antigo líder militar do norte do país Muhammadu Buhari, apresentando-se como um fator a influenciar os resultados. #Terrorismo