A China vai aumentar em cerca de 10% o investimento público na Defesa. A notícia, veiculada pela porta-voz do Congresso Nacional do Povo, Fu Ying, será confirmada oficialmente hoje. O aumento na despesa militar chinesa encontra-se em linha com os anos anteriores, tendo aumentado 12,2%, no ano passado, em relação ao ano anterior. De acordo com a BBC, Fu Ying afirmou que se trata de "modernizar a Defesa", no quadro da "modernização do país". 


Com um orçamento de 130 000 milhões de dólares, prevê-se que seja de 143 000 milhões o orçamento militar no próximo ano. Longe, ainda, dos 585 mil milhões que são a proposta de Obama ao Congresso para 2016. O esforço de modernização deverá incidir em submarinos, aviões de caça e também num porta-aviões.


O tipo de investimento significa que a China pretende reforçar a sua influência marítima, mais do que terrestre. Japão, Vietname, Taiwan - que Pequim não reconhece como estado, mas como província rebelde - são alguns dos potenciais adversários marinhos dos chineses. Mais longe, uma medição de forças com os Estados Unidos passaria sempre pelo poder naval. De resto, esta é uma tendência que já foi reportada aqui, na Blasting News.




Não se sabe se a China conta com um "complexo militar-industrial", expressão que designa a indústria de armamento norte-americana, contra cuja influência alertou o presidente Eisenhower ainda nos anos 50. O papel externo da China, historicamente, tem sido de maior contenção e bom senso que o da Rússia - com excepção da anexação do Tibete. Fu Ying fala em "modernização", reflectindo o complexo de inferioridade da política chinesa que atravessou o século XX: ter-se deixado atrasar em relação aos europeus, aos americanos, aos japoneses, aos russos. Desenvolvimento interno e contenção externa têm sido as linhas de actuação da China nas últimas décadas, contribuindo para um mundo mais estável.


Contudo, o gigante asiático pode não ser sempre amigável, como se viu no recente apoio à Rússia sobre a Ucrânia. A sua dimensão e atitude assertiva, bem como o facto de o seu regime não ser democrático, vão continuar a inspirar cautelas aos seus vizinhos mais próximos. E também aos EUA e à Europa, sabendo qual o papel que a China terá no século XXI.