A China enviou caças para a sua fronteira com Myanmar e apresentou um protesto diplomático após um avião de guerra de Myanmar ter alegadamente deixado cair uma bomba no território chinês, matando quatro civis. A bomba explodiu num canavial perto de Lincang, na província de Yunnan, ao longo da fronteira com Myanmar, segundo os relatórios citados pela BBC. Myanmar tem estado a lutar contra rebeldes da região de Kokang, na fronteira com a China. Um membro do governo de Myanmar, citado pela Reuters, negou que a China fosse o alvo do bombardeamento e afirmou que os rebeldes poderão ter sido os responsáveis pela explosão. "É possível que aqueles que lutam connosco tenham executado estes ataques propositadamente, com a intenção de causar um mal-entendido entre nós e a China," disse o membro do governo.

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Myanmar disse também que o radar e os registos do GPS mostram que o avião de guerra não cruzou a fronteira da China, mas lamenta a morte dos quatro agricultores. Segundo a Al Jazeera, Pequim ameaçou tomar medidas "decisivas" caso os ataques mortais pelas forças de Myanmar se repitam no seu território. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, durante a sua conferência anual de imprensa no domingo, dia 15, disse que o governo tinha a capacidade e responsabilidade de "defender firmemente" a estabilidade da fronteira.

Num comunicado semelhante, emitido no sábado, Fan Changlong, vice-chanceler da Comissão Militar Central, disse que os aviões da força aérea de Myanmar têm cruzado ultimamente a fronteira "muitas vezes". "Myanmar deve reconhecer a gravidade da situação, lidar a sério com este incidente, punir aqueles que causaram o problema, pedir desculpa e pagar uma indemnização aos familiares [das vítimas], e dar explicações à China," terá dito Fan ao exército de Myanmar durante uma chamada telefónica de emergência.

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A China também avisou recentemente Myanmar de que a escalada do conflito na região de Kokang poderia vir a desestabilizar a área fronteiriça.

Cerca de 30.000 refugiados deslocaram-se para a China para fugir do conflito. Myanmar encontra-se a combater os rebeldes étnicos chineses Han na região remota do estado Shan, a noroeste. A China enviou caças para patrulhar a fronteira com Myanmar depois de a bomba ter sido lançada sobre o seu território, informaram as autoridades de Pequim.

O vice-chanceler dos Negócios Estrangeiros chinês, Liu Zhenmin, também convocou o embaixador de Myanmar em Pequim, Thit Linn Ohn, para o confrontar sobre o bombardeamento. Quatro pessoas que trabalhavam no canavial foram mortas durante o ataque e outras nove ficaram feridas, avançou a agência oficial de notícias chinesa Xinhua.

Conflito em Kokang

Os confrontos entre militares e os combatentes rebeldes, conhecidos como o Exército da Aliança Nacional Democrática de Myanmar (MNDAA), intensificaram-se desde Fevereiro de 2015.

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O governo declarou estado de emergência na base dos rebeldes, localizada na região de Kokang.

O conflito foi desencadeado pelo regresso do líder rebelde Pheung Kya Shin, após cinco anos de exílio na China. Myanmar acusou antigos soldados chineses de treinar os rebeldes - uma alegação que os próprios desmentem. A China também rejeita quaisquer ligações com os rebeldes.