O negócio do armamento é um dos maiores do mundo, com valores que poderão chegar aos dois biliões de euros a serem despendidos anualmente. Evidentemente que muitos países, e respetivas indústrias, anseiam por obter uma fatia deste negócio multi-bilionário. Desde o final da Guerra Fria que o mercado mundial tem sido dominado, talvez não surpreendentemente, pelos Estados Unidos da América e pela Federação Russa, com a Alemanha num distante terceiro lugar. No entanto desde que o desenvolvimento industrial e militar da República Popular da China (RPC) realmente começou a acelerar, mais ou menos na viragem do século, que Pequim se tem imposto cada vez mais como um poder a ter em conta.

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Tem, portanto, feito esforços cada vez mais intensos para não apenas obter poder político junto de países de todo o mundo, como também para vender armamento a essas mesmas nações, tendo assim conseguido, finalmente, ultrapassar a Alemanha e impondo-se como o terceiro maior fornecedor de armas do mundo.

Tradicionalmente o fabrico de armamento na RPC foi sobretudo pensado para consumo interno. Após a quebra de laços com a União Soviética, durante o início da década de 1960, Pequim viu-se a mãos com a necessidade de produzir o seu próprio equipamento, e a falta de bases industriais, e sobretudo de experiência e conhecimento, forçou o governo comunista a copiar o armamento que tinham em mãos. Devido a esse mesmo fator e ao domínio de Washington e Moscovo na indústria, estas armas chinesas foram usadas sobretudo pelo Exército de Libertação Popular, e aliados próximos.

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Mas permaneceu o olho para o mercado internacional. Apesar de a originalidade, digamos, do equipamento chinês ainda ser questionada, a verdade é que a sua venda a clientes por todo o mundo quase duplicou nos últimos cinco anos.

Convém ter em conta que apesar deste crescimento extraordinário do fabrico e exportação de armas, Pequim ainda está muito longe de chegar aos níveis de Moscovo, ou de Washington, o líder nas vendas. Isto porque a maioria dos seus clientes compram em pequenas quantidades. De longe o maior importador de armas do mundo é a Índia, inimiga da RPC, e cujo mercado é dominado pela Rússia, tácito aliado de Pequim. No entanto, esta é uma questão curiosa, pois apesar das relações próximas com Moscovo, Nova Deli também procura acordos com Washington e Paris, demonstrando claramente a complexidade e as implicações políticas do mercado. A verdade é que a compra de armas, sobretudo as mais sofisticadas, implica sempre um tipo de ligação política devido à logística que as mesmas requerem.

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Por isso mesmo, convém ter em conta que a crescente influência de Pequim no negócio não procura apenas o lucro. Com amplas ambições territoriais na região da Ásia-Pacífico, a RPC procura solidificar a sua posição internacional, de modo a poder legitimar as suas reivindicações. Para este efeito também assumiu o incremento de 10% no orçamento militar próprio. É a tentativa de lentamente forjar um novo mundo, aparentemente suportada pela ascensão de Pequim ao lugar de maior economia do mundo, mas questionada pelo desacelerar da mesma e pelo envelhecimento da população. Há até quem diga que a China precisará de uma guerra nos próximos anos para garantir a sua posição.