Foi na véspera do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, que as cinco mulheres activistas foram detidas. Com o objetivo de sensibilizar a sociedade para o assédio sexual nos transportes públicos, Li Tingting, Wu Rongrong, Zheng Churan, Wang Man e Wei Tingting, preparavam-se para uma manifestação pacífica, que incluía a distribuição de autocolantes e panfletos. No entanto, a polícia deteve a cinco chinesas, sob acusações de "iniciar querelas e provocar problemas".

As activistas não eram totalmente desconhecidas pelas autoridades. Li Tingting já havia participado em campanhas contra a violência doméstica e pela introdução de lavatórios unissexo.

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Segundo o advogado de Tingting, a polícia entrou à força na sua casa, empunhando um mandato, por volta das 23 horas e 30 minutos do dia 6, recusando mostrar identificação. Wei Tingting, por sua vez, fora convocada pela polícia local, no mesmo dia, onde acabou por ser presa. "Ela pensou que era apenas conversa de rotina antes das 'Duas Sessões'" (reuniões anuais da Assembleia Popular Nacional da China e do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, período sensível a protestos sociais), declarou o advogado da ativista.

As autoridades têm trinta dias para apresentar queixa. Ao serem condenadas, as mulheres podem enfrentar uma pena que vai até aos cinco anos de prisão. O episódio originou uma onda de protestos solidários um pouco por todo o mundo. Além de uma série de petições e pedidos a exigir a sua libertação, que circulam pelas redes sociais, vários grupos cívicos prometeram participar num protesto marcado para dia 21 de março, em Hong Kong.

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A nível internacional, vários grupos feministas e sociais mostraram o seu apoio e condenaram a atitude de Pequim. Foi lançada a hashtag #FreeTheFive para reunir apoio mundial e a Aministia Internacional já criou uma página no Tumblr em forma de campanha.

A China tem sido um dos grandes palcos de opressão, sobretudo desde que Xi Jinping assumiu a presidência do país, em 2012, liderando uma série de ações para reprimir aqueles que vê como potenciais opositores ao seu regime, nomeadamente advogados dos direitos humanos e académicos. Exemplo disso foi a supressão do Novo Movimento de Cidadãos, nos últimos dois anos, grupo que consistia numa network de académicos liberais e advogados, e que terminou com a condenação do seu líder a quatro anos de prisão e ao exílio dos seus fundadores.