O crescimento económico da República Popular da China (RPC) teve o efeito de solidificar a posição de Pequim no mundo. Após ter sido declarada a maior economia mundial, no final do ano passado (destronando os Estados Unidos após um domínio de 140 anos), a RPC tenta agora ampliar a sua esfera de influência, tanto em termos económicos como geográficos. Esta realidade tornou inevitável algo que se havia começado a desenhar há já algum tempo: a rota de colisão entre Pequim e Washington. Evidentemente que o atual duelo de super-potências se faz sentir também na campo militar, com o governo chinês a declarar que pretende ampliar o investimento na defesa em 10%, subindo o valor total para 117 mil milhões de euros.

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Já em 2015 tinha havido um incremento de 13%.

Com estes valores Pequim espera ampliar a produção de novos veículos militares, sobretudo uma nova geração de carros de combate, submarinos e caças furtivos. Convém ter em conta, contudo, que a ideia chinesa não é, nem nunca foi, de conseguir ultrapassar a vantagem tecnológica americana, o que, aliás, seria impossível com a diferença nos gastos militares. Apesar do valor despendido pela RPC, este ainda parece pouco quando comparado com os 528 mil milhões de euros que Barack Obama quer pedir ao Congresso este ano.

Possuindo as maiores reservas de tropas de quaisquer forças armadas no planeta, o Exército de Libertação Popular aposta em conseguir os números que lhe permitam gerir os seus inimigos e necessidades estratégicas.

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Convenhamos que para lá da rivalidade com Washington, Pequim forma uma frente, conjuntamente com o Paquistão, contra a Índia, e ambos os lados desse confronto sentem uma necessidade consistente de manter um equilíbrio militar na região. Aliás, Nova Deli também vai aumentar ainda mais os seus gastos na defesa, sobretudo para atualizar o seu equipamento, em muitos casos antigo e em quantidade considerada insuficiente.

Por outro lado, a região da Ásia-Pacífico causa preocupações especialmente importantes ao planeamento militar chinês. Basicamente Pequim tem poucos aliados na região, e amplas ambições territoriais que chocam com a soberania real ou reclamada por várias outras nações. A criação de mais armas e veículos militares, assim como a criação de bases militares, às vezes à margem da lei internacional, são apresentados como tendo um forte poder nas mesas de negociações, e generais chineses falam da capacidade de vencer guerras rápidas contra estes vizinhos. Em resposta, e como sucede com a Índia, vários países na região estão também a aumentar o orçamento na defesa, numa corrida ao armamento que preocupa os analistas.

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O Japão, sobretudo, apresenta-se como uma potência na liderança deste reavivar do militarismo oriental o que, devido à carga histórica do mesmo, leva a choques com Pequim e até com aliados, como Seul.

Entretanto, a RPC tenta também expandir o seu jogo na arena internacional, desafiando Washington como a potência mais influente. Tem apoiado politicamente Moscovo no Leste da Europa e procurando colocar um pé dentro da própria NATO, com acordos financeiros e militares. Entretanto desloca-se também para a América do Sul, o quintal dos EUA. Evidentemente que todo este jogo é usual nas grandes lutas entre potências, mas a economia chinesa dá sinais de estar finalmente a perder vapor, o que a aproxima mais dos seus aliados, e cria uma séria instabilidade.