Robert Durst é filho de uma das mais proeminentes dinastias do imobiliário nova-iorquino. A excentricidade é aliás uma das principais características deste multimilionário americano de 71 anos de idade. Ao fim de três décadas de suspeitas, Durst foi agora detido pelo assassinato de três pessoas, depois que começou a falar sozinho numa casa de banho. O norte-americano tinha acabado de gravar um documentário para a estação de televisão HBO. O microfone ainda estava preso na roupa quando foi à casa de banho e continuava ligado. O milionário não se terá apercebido e, quase em sussurro, começou a falar sozinho: "Pronto! Foste apanhado. O que diabo fiz eu?...

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Matei-os a todos, claro".

A gravação foi entregue pela estação de televisão à polícia, que o prendeu no fim-de-semana, num hotel de Nova Orleães. A polícia tentava pôr Robert Durst atrás das grades há 30 anos, depois da sua primeira mulher desaparecer sem deixar rasto. O herdeiro da Durst Organization, uma gigante do imobiliário, proprietária de 11 arranha-céus em Manhattan, Nova Iorque, incluindo o One Trade Center, tornou-se suspeito do seu assassinato. Kathleen desapareceu depois de um fim-de-semana numa casa do casal, em Westchester. Contudo, a polícia nunca conseguiu encontrar o corpo e por isso Durst não foi a julgamento.

O norte-americano foi preso inúmeras vezes por crimes menores. Cortou relações com a família e voltou a casar. Negou sempre qualquer envolvimento no homicídio da sua primeira mulher, Kathleen.

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Disse, também, estar inocente relativamente às suspeitas de assassinato de uma amiga, Susan Berman. Susan, filha de um gangster de Las Vegas, foi encontrada em Los Angeles, morta a tiro. Em 2003, volta a ser suspeito de um assassinato, desta vez de uma mulher de Galveston, no Texas, onde Durst vivia escondido e mascarado de idosa muda desde a reabertura do inquérito à morte da primeira mulher, segundo avança a BBC. Foi a julgamento e acabou absolvido, embora a mulher de idade tenha sido desmembrada. O milionário defendeu em tribunal que a matou em autodefesa.

O inesperado acontece no fim das gravações de um documentário sobre Robert Durst. O americano aceitou a proposta da HBO e as gravações do documentário, divido em seis partes, começaram. Durante as gravações, o multimilionário foi fazendo várias revelações. Entre elas, admitiu que mentiu à polícia sobre os seus movimentos no dia em que a primeira mulher desapareceu. Todavia, negou ter feito uso dos seus conhecimentos na máfia para fazer desaparecer o corpo.

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No entanto, num dos episódios, Durst é confrontado com um facto que o levou a incriminar-se: quando Susan Berman apareceu morta, a polícia de L.A. recebe uma carta do assassino, na qual a palavra Beverly Hills estava mal escrita. O americano já havia considerado que esta carta só podia ter sido redigida pelo assassino. Ora, no último episódio do documentário, os produtores mostraram a Robert Durst uma carta que ele escreveu a Susan e que tem o mesmo erro em Beverly Hills. Num primeiro momento, Durst reage com normalidade. Depois, desvaloriza a semelhança entre os documentos.

Quando a gravação termina, o protagonista vai à casa de banho. E é aí que tudo acontece. Não se tendo apercebido de que o microfone continua ligado, começou a falar sozinho e acabou por confessar três homicídios. Neste momento, Durst, que será julgado em Los Angeles, foi acusado apenas do homicídio de Susan Berman. Por apurar, está ainda a validade da confissão em tribunal. #Justiça #Crime