Como foi já dito diversas vezes nas últimas semanas, e por conseguinte nos últimos anos em diversos meios noticiosos, as ameaças do regime de Pyongyang contra os seus vizinhos tendem a tornar-se comuns nesta altura do ano. O regime do Norte da península insiste que os recorrentes exercícios militares entre os Estados Unidos da América e a Coreia do Sul são preparações para uma eventual invasão. Esta semana, contudo, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Ri Su Yong fez uma surpreendente declaração na conferência sobre desarmamento, efetuada sob a alçada das Nações Unidas em Genebra, dizendo que perante as ameaças americanas de lançar ataques nucleares contra a Coreia do Norte, esta não teria outra opção a não ser preparar-se do mesmo modo.

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Declarações do género por parte de altas instâncias do governo de Pyongyang são raras, e vêm no encalço do lançamento de diversos mísseis de médio alcance (500 km), feito esta segunda-feira. À primeira vista parece ser apenas mais um elemento de uma peça de teatro já vista diversas vezes, mas convém ter em conta que rumores que andam a circular desde o ano passado referem uma posição cada vez mais instável por parte do governo de Kim Jong-Un, marcada pelas atrozes execuções de alguns dos seus opositores, e mesmo aliados que tenham tido o azar de se tornarem demasiado populares.

Contudo, a ameaça de que os Estados Unidos queiram atacar outras nações com armas nucleares é certamente vazia. O uso de armas nucleares seria um sério golpe para a comunidade internacional, e mesmo Washington sofreria com a reação da mesma e também com os inevitáveis contra-ataques de inimigos, nem que seja para garantir que eles mesmos não sofreriam o mesmo destino.

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É o que se chama de estratégia de Destruição Mútua Assegurada, MAD na sigla em inglês. Pelo que tal cenário é altamente improvável.

Por outro lado, o poderio militar sul-coreano e americano é teoricamente suficiente para enfrentar a Coreia do Norte num confronto convencional, por muito destrutivo que o mesmo possa ser. É igualmente duvidoso que o isolado estado totalitário tenha a logística necessária para suportar operações em grande escala por muito tempo. Independentemente dos estragos, é evidente que Pyongyang nunca poderia vencer essa guerra.

Poderia, no entanto, conduzir uma desgastante guerra de guerrilha após o choque inicial, e entretanto utilizar o seu vasto arsenal químico e artilharia para devastar o máximo da Coreia do Sul que lhe fosse possível. Estas ameaças são reais, e certamente que mantêm os líderes militares de Seul atentos. É duvidoso, contudo, que a Coreia do Norte possua armas nucleares neste momento, apesar de ter sido com estas mesmas que o Ministro Ri Su Yong ameaçou o embaixador americano Robert Wood.

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Wood havia declarado que Pyongyang deveria parar de tentar adquirir armas nucleares, isto se desejava que ambos os lados da questão coreana pudessem prosseguir com conversações credíveis. Mais ainda, declarou que Washington defenderia os seus aliados em caso de necessidade.

Por enquanto, parece ser mais do mesmo, apesar da retórica excecionalmente agressiva dos últimos dias.