A Coreia do Norte disparou esta manhã, 2 de março, dois mísseis balísticos de curto alcance em direção ao Mar do Japão. Segundo as autoridades sul-coreanas, os disparos partiram da cidade portuária de Nampo, a cerca de 60 quilómetros sudeste da capital do norte, Pyongyang, com um alcance de 490 quilómetros. Em referência ao ataque, a agência de notícias estatal da Coreia do Norte, a KCNA, citando uma fonte militar, afirmou que "a situação na península coreana está, cada vez mais, muito próxima da guerra". O lançamento dos mísseis é visto como a resposta de Pyongyang ao início dos exercícios militares entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, agendados para hoje.

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Designados de Foal Eagle, estes treinos militares com o ocidente ocorrem anualmente no final de fevereiro e início de março, com uma duração de oito semanas, tendo, este ano, mobilizado cerca de 200 mil soldados sul-coreanos e 3700 soldados norte-americanos. Considerados puramente defensivos por Washington, o governo de Kim Jong-un acusa Seul de se estar a preparar para a guerra. A Coreia do Sul já se pronunciou sobre o incidente desta manhã: "Se a Coreia do Norte toma ações provocativas, as nossas forças armadas vão reagir com firmeza e força, para que a Coreia do Norte se arrependa até aos ossos", afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa Kim Min-seok.

Entretanto, também o Japão condenou as ações de Pyongyang. "O lançamento de mísseis balísticos pela Coreia do Norte é uma conduta extremamente problemática em termos de segurança na aviação e navegação", declarou o secretário do chefe de Gabinete Yoshihide Suga em conferência de imprensa.

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O Japão tem sido especialmente ponderado nas suas condenações à Coreia do Norte. Em julho do ano passado aliviou as sanções impostas a Pyongyang de modo a reabrir a investigação sobre o sequestro de cidadãos japoneses por agentes norte-coreanos há várias décadas atrás.

O lançamento de mísseis de curto alcance como parte de testes militares pelo governo de Kim Jong-Un são frequentes. As Nações Unidas já impuseram diversas sanções à Coreia do Norte como resposta, mas parecem não ter tido grande impacto. As relações diplomáticas entre as duas Coreias estão em crise desde que a península foi dividida entre norte e sul, em 1945, por Washington e Moscovo, o que resultou na sangrenta Guerra da Coreia de 1950. Um armistício pôs fim ao conflito, em 1953, mas desde então que os dois territórios vivem em estado de tensão. As relações começaram novamente a deteriorar em 2010, após o bombardeamento da ilha de Yeonpyeong, atribuído à Coreia do Norte, e que resultou na morte de quatro sul-coreanos e dezanove feridos.