O Costa Concordia, o navio que naufragou na costa italiana, causando a morte de 32 passageiros, era usado pela máfia para traficar grandes quantidades de cocaína. No decurso de uma investigação à 'Ndrangheta, uma das principais organizações criminosas no país transalpino, que levou à detenção de 20 pessoas, a polícia descobriu um sofisticado esquema para transportar a droga da América Latina e das Caraíbas para a Europa, utilizando navios de cruzeiro. Numa das conversas escutadas pelos investigadores, dois membros da Famiglia Montalbano lamentavam: "aquele navio fez-nos parecer ridículos perante todo o mundo". Para os procuradores, não há dúvidas de que os homens se referiam ao Costa Concordia, o famoso navio que naufragou no dia 13 de Janeiro de 2012.

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A 'Ndrangheta construiu um verdadeiro império, que se estende a contratos de obras públicas, bens imobiliários, restaurantes e hotéis, graças aos milhões de euros ganhos através do tráfico de drogas, vindas da América do Sul. Através dos fortes laços criados com os cartéis sul-americanos, esta organização conseguiu eclipsar os seus rivais nacionais: a Cosa Nostra, da Sicília, e a Camorra, de Nápoles.

A organização mafiosa costumava utilizar os portos espanhóis para fazer entrar a mercadoria na Europa, assim como o porto italiano de Gioia Tauro, na região de Calabria, de onde a Famiglia Montalbano é oriunda. Recentemente, as autoridades acreditam que os cruzeiros se tornaram úteis à máfia, tanto no transporte de drogas escondidas a bordo, como na movimentação de traficantes, que entravam nestes barcos disfarçados de turistas, segundo documentos do tribunal publicados pelo La Repubblica.

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Para chegar a esta descoberta, a polícia monitorizou chats na internet, nos quais dois dos mafiosos, que usavam nomes de mulher como Olivia e Giulia, foram apanhados a discutir sobre uma grande quantidade de cocaína que se destinaria ao Costa Concordia. Os traficantes também terão utilizado navios de outras empresas de cruzeiros, como a MSC e a Norwegian Cruise Line, apontam os investigadores.

Ainda não é claro se estaria a ser transportada cocaína no dia em que o barco chocou contra as rochas ao largo da ilha de Giglio. Aliás, as autoridades nunca referiram ter sido encontrada droga quando fizeram buscas ao navio, à procura de corpos. O barco está actualmente a ser desmantelado, depois de ter sido rebocado no ano passado para o porto de Génova.

Este mês, cinco membros da tripulação do Norwegian Sun, da Norwegian Cruise Line, foram detidos na Florida por, alegadamente, terem tentado introduzir nos Estados Unidos cinco quilogramas de cocaína escondida na roupa interior, depois de uma escala nas Honduras. Na Argentina, as autoridades confiscaram a dois tripulantes do Splendour of the Seas, da Royal Caribbean, droga avaliada em mais de um milhão de euros, que estava colada aos seus corpos.