Será que o grupo terrorista que comete incontáveis atrocidades e é a maior ameaça ao Ocidente, terá ganho força através da acção dos Estados Unidos da América? Existe quem pense que sim. Nomeadamente, o historiador Robert Freeman, ao defender que os Estados Unidos são os principais responsáveis pelo aparecimento do Estado Islâmico (EI). Freeman, autor do livro The Best One-Hour History Series, num artigo publicado no site de notícias Common Dreams, descreveu, em três fases, a forma como a política externa de Whastighton proporcionou a criação do Estado Islâmico, ao destruir regimes árabes seculares e estáveis, no Iraque e na Síria, e ao permitir, e apoiar indirectamente, o crescimento de grupos radicais fundamentalistas islâmicos.

Porém, esta já não é a primeira vez que se ouve este tipo de críticas e ideias relativas ao aparecimento do perigoso grupo radical islâmico, auto-intitulado Estado Islâmico. No final de 2014, o líder espiritual do Irão, Ali Khamenei, acusou os Estados Unidos, Israel e o Reino Unido de terem criado este grupo jihadista para causar uma divisão entre os muçulmanos, para que estes se esqueçam de quem são os seus inimigos comuns - Israel e os Estados Unidos. Khamenei indicou, ainda, que foi esse o principal motivo que levou o Irão a não aceitar fazer parte da coligação internacional contra o os jihadistas. Pois, segundo este, o objectivo dos Estados Unidos em lutar contra o EI "é continuar a deter uma presença militar activa na região".

De relembrar que, apesar de Washington e Teerão se assumirem ambos contra o Estado Islâmico, a verdade é que as suas estratégias de ataque são bem diferentes, com os EUA a insistirem no derrube do regime na Síria de Bashar al Assad, enquanto o Irão é o principal aliado externo do regime ditatorial da Síria.

Mas não são só apenas estas as vozes que culpam a nação do Tio Sam de terem agido directa ou indirectamente na criação do Estado Islâmico. Kenneth O'Keefe, ex-oficial da Marinha dos EUA, revelou, numa entrevista à Press TV, não ter dúvidas que o "EI é um monstro, um Frankenstein criado pelos EUA". O militar aponta como prova o facto dos extremistas do EI, que tem as suas bases especialmente no Iraque e na Síria - territórios onde ocorreram intervenções norte-americanas militares de forma directa ou indirecta - terem recebido dos EUA financiamento e vários equipamentos de guerra. Tudo isto com o pretexto de "acabarem com o último 'Hitler' aos olhos do Ocidente, Bashar al Assad".

Apesar de tudo, a difusão destas afirmações têm sido desvalorizadas pelo facto de, alegadamente, partirem de fontes pouco credíveis. Contudo, apesar do silêncio geral e das dificuldades em separar o que é verdade das meras teorias da conspiração, parece ser certo o facto dos EUA terem contribuído, indirecta e involuntariamente, para o desenvolvimento daquela que é hoje a principal ameaça à estabilidade no Médio Oriente.

Aliás, é esta a ideia do senador norte-americano, Rand Paul, um dos nomes mais cotados para ser candidato pelo Partido Republicano à corrida eleitoral pelo lugar de Obama, que publicamente denunciou a forma como o dinheiro dos impostos dos americanos foi utilizado para "armar rebeldes islâmicos que seguem os mesmo ideais que levaram Al-Qaeda a atacar os EUA, no fatídico dia de 11 de setembro de 2001".

Em todo o caso, o Estado Islâmico e os seus radicais estão cada vez mais isolados pela comunidade. Não só as suas bases são diariamente bombardeadas pela coligação de combate ao terrorismo liderada pelos EUA, como muitos dos alegados planos de actos terroristas do EI têm sido comprometidos e limitados fruto do controlo fortíssimo do alerta terrorista na Europa Ocidental e na América do Norte. E assim, apesar continuarem a serem divulgados vários vídeos das atrocidades destes rebeldes islâmicos, estes têm cada vez menos força. #Terrorismo