Mais de 150 americanos trabalharam na Serra Leoa para controlar a epidemia do Ébola. Sabe-se agora que 16 estão infectados, ou em isolamento, e um deles está em estado crítico no National Institute of Health, EUA. A maior parte dos americanos infectados são voluntários que se prestaram a socorrer os seus amigos mas não sabiam na altura que eles tinham ébola. O que demonstra que até mesmo os especialistas são vulneráveis a infecções da epidemia. Estes voluntários ocidentais infectados pelo ébola estão de regresso aos seus países. Há outros voluntários dinamarqueses e ingleses que já regressaram aos seus países com a mesma infecção. O CDC (Centro de Controlo e Prevenção de Doenças) está a investigar o sucedido.

Na semana passada, a Organização Mundial de Saúde anunciou mais 55 vítimas da epidemia. Ervin, um voluntário especialista que trabalha na Serra Leoa para controlar a infecção, propôs 2 regras para erradicar a doença: Encontrar os doentes infectados e isolá-los, para evitar alastramento; Encontrar todos os que estiveram em contacto com os pacientes para isolá-los e serem tratados ao mínimo sintoma.

O grupo de voluntários vitimizados do CDC estava a colaborar com um oficial local para detectar as vítimas da epidemia e sabiam que tinham de se manter distantes dos pacientes e não tocar em ninguém. Contudo, não tinham instrumentos de verificação imediata e só podiam confiar nas palavras dos pacientes. Quando lhes perguntavam se eram saudáveis, os infectados diziam que eram, e o oficial de saúde local não ia verificar a situação.

Matt Karnowski, pediatra, refere que o problema de detectar o ébola imediatamente é a sintomatologia semelhante noutras doenças, como a cólera e a malária. Acrescenta ainda que "quando as pessoas ficam doentes, quase ninguém pensa imediatamente no Ébola". Karnowski, em declarações à NBC News, referiu que as pessoas estão novamente a ficar com medo e que "no auge da epidemia deixavam as suas casas e não voltavam mais, ninguém sabia o que estava a acontecer, as pessoas estavam a morrer tão rápido que as sepulturas nem sequer eram registadas". Isso assusta as pessoas, disse, "as pessoas nem sequer podem ouvir as ambulâncias porque ficam logo alarmadas e quando chega uma ambulância há logo um ajuntamento e perguntas acerca do sucedido".

Abu Bakarr Sesay, estudante de medicina do departamento de saúde da Serra Leoa, conta que detecta a doença quando olha para os olhos dos pacientes, "quando os pacientes estão pálidos e os seus olhos se mexem lentamente". Conta ainda que um dia uma criança estava com convulsões e chamou uma ambulância, contudo a avó insistiu que a criança estava bem e tentou evitar que o seu neto fosse para o hospital. Não conseguindo evitar a situação, optou por ir na ambulância com a criança e com um irmão da mesma. No dia seguinte estavam os três mortos. "Isso é o quão rápido o Ébola pode matar", afirmou Sesay.

Até agora o Ébola infectou mais de 25.000 pessoas em África e matou cerca de 10.000.