A epidemia de cólera em Moçambique continua a aumentar, elevando para 41 o número de vítimas mortais e quase 5000 casos confirmados. A epidemia está a alastrar-se rapidamente a Tete, no centro de Moçambique, atingindo também Moatize e Muatara. A cólera é uma doença causada por uma bactéria que se multiplica no intestino humano, produzindo toxinas que causam diarreia excessiva. Afecta apenas os seres humanos e a sua transmissão ocorre sobretudo através de águas contaminadas.

Já matou milhares de pessoas pelo mundo inteiro, incluindo na Europa, contudo o desenvolvimento das condições de vida básicas diminuiu bastante o número de países onde esta doença se fazia notar. Hoje em dia surge com mais facilidade em alguns países da África, Ásia e América do sul, especialmente em zonas tropicais. Os sintomas principais são diarreia, dores abdominais, taquicardia, hipotermia, e a prevenção consiste sobretudo na higiene pessoal e em ferver a água antes de consumir.

O surto surgiu num campo de exploração de minérios, onde vivem milhares de pessoas sem as mínimas condições de higiene. O saneamento é bastante precário e teme-se que a epidemia alastre rapidamente. Foi declarado alerta máximo em todo o país, alargando a área de expansão da doença, e estão a ser tomadas medidas de prevenção para futuros doentes, incluindo a instalação de tendas médicas em pontos estratégicos. A Organização Mundial de Saúde já entregou milhares de medicamentos antibióticos, produtos desinfectantes, luvas e testes de detecção rápida de cólera, água e sabão para tentar travar o surto.

"Estamos em alerta máximo e a situação é muito complexa. Só em Tete, em média, as unidades sanitárias atendem 70 a 75 pessoas com cólera por dia", declarou a directora-adjunta de Saúde Pública, Benigna Matsinhe. Esta época é de muito calor e chuvas, pelo que a propagação de doenças, sobretudo a cólera, é bastante propícia. As fortes chuvas provocaram inundações do rio Licungo que ultrapassaram os 12 metros de altura, cheias que não tinham estas dimensões há 45 anos. Já tem havido pequenos surtos ou poucos casos, mas os números deste ano são extremamente preocupantes.