Barack Obama sugeriu que o Irão suspenda o desenvolvimento do seu programa nuclear durante 10 anos. Contudo, o presidente norte-americano reconhece que as hipóteses de conseguir um acordo são baixas. Obama falava numa entrevista à agência Reuters, na segunda-feira dia 2, recordando o seu papel de mediador entre o Irão e Israel. Contudo, algumas horas após a divulgação da entrevista, o Irão rejeitou publicamente os prazos e condições apontados por Obama.


A entrevista de Obama antecipou a visita do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos, que discursou esta terça-feira no Congresso. O convite surgiu da maioria republicana na Câmara, numa atitude de desafio ao presidente. O programa nuclear do Irão tem motivado um conjunto de negociações com os 5 países com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha. O facto de China, Rússia e Estados Unidos actuarem de forma concertada, neste assunto em particular, tem ajudado a que o Irão vá aceitando contrapartidas, e que o seu desenvolvimento nuclear se tenha atrasado. Isto apesar das divergências entre esses países em outros assuntos.


Este mesmo ponto de vista tem sido apresentado por Obama junto da liderança israelita. O presidente americano critica a posição de Netanyahu e sublinha que "um mau acordo é melhor que nenhum acordo" sem deixar de referir que o Irão não tem avançado no seu programa nuclear. A liderança de centro-esquerda de Obama tem-se mostrado mais propensa à negociação, contrariando a postura de confrontação do antecessor George W. Bush. Este ponto de vista choca com Netanyahu, de direita, que acusa Obama de ter "desistido" de impedir o Irão de ter armas nucleares e que as negociações são um sinal disso mesmo. Netanyahu deixou, no seu discurso no Congresso norte-americano, fortes críticas às negociações com o Irão.


Contudo, não está em causa o alinhamento entre os Estados Unidos e Israel, e Obama também já referiu que as divergências com Netanyahu não passam disso mesmo. Apesar do papel de mediador com que Obama se apresenta, o Irão e os Estados Unidos continuam a não ter relações diplomáticas. Quando ao programa nuclear, é voz corrente que Israel dispõe de um arsenal secreto - mas nunca o utilizou.


Já o regime dos aiatolas de Teerão, embora afirme que o programa nuclear é para produzir energia, já declarou várias vezes no passado que a extinção de Israel é um objectivo de política externa. É compreensível que Telavive, na mira dos mísseis iranianos, sinta receio perante a possibilidade de esse programa nuclear avançar.