A crise no Iémen está fora de controlo desde Setembro do ano passado. No início de fevereiro desde ano os rebeldes Houthi conseguiram ocupar a capital, Sana'a, e depor o governo do Presidente Abdrabbuh Mansour Hadi e, desde então, têm combatido uma guerra em pelo menos duas frentes: contra as forças governamentais concentradas na cidade de Áden, a Oeste, e contra os grupos jihadistas, a Leste. Esta quarta-feira foi anunciado que as forças Houthis, que contam com o apoio de unidades do exército que desertaram em seu favor, teriam conseguido ocupar uma base aérea nos arredores de Áden, que já haviam atacado há uns dias atrás. A ser assim, este poderia ser o início do colapso do apoio a Hadi, cujo paradeiro permanece incógnito, com os rebeldes a afirmarem que teria fugido da cidade, enquanto as autoridades governamentais garantem que está no centro de comando a liderar as operações.

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Toda a situação preocupa severamente as autoridades da Arábia Saudita. Convém ter em conta que, em termos gerais, se observa uma luta de poder pelo Médio Oriente, entre a Arábia Saudita, Sunita, e o Irão, Xiita, com a Turquia a apresentar-se como a terceira alternativa. Ora, o regime de Hadi era aliado de Riade, conquanto os rebeldes Houthis estarão alinhados com os interesses de Teerão, o que torna o conflito num braço-de-ferro entre ambos os poderes regionais. Com as autoridades governamentais tão próximas da derrota, Riade poderia ver-se com um regime alinhado com o seu pior inimigo no quintal das traseiras, por assim dizer. E isto com o Iraque já tender para o campo iraniano, o que, efetivamente, cercaria a Arábia Saudita. Isto é, evidentemente, inaceitável.

Segundo uma reportagem da Reuters, as Reais Forças Armadas Sauditas estariam a acumular material e pessoal junto da fronteira.

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Espera-se que Riade inicie ataques aéreos contra alvos Houthis em breve, como já fez no passado. Mas a grande questão prende-se com a possibilidade de uma ofensiva terrestre. Neste momento observa-se um acumular de carros de combate e peças de artilharia, mas pode-se assumir que serão sobretudo para evitar que os combates vazem para os desertos sauditas.

Veja-se que intervenções de Riade em território estrangeiro não são estranhas ao passado recente, com unidades de infantaria a serem deslocadas para o Barheim para esmagar as revoltas da Primavera Árabe em 2011. Já Hadi anseia pela intervenção dos seus aliados, estando a finalizar um documento para autorizar quaisquer poderes que assim desejem a utilizar os meios ao seu dispor para neutralizar a "ameaça Houthi."

Entretanto, os Estados Unidos anunciaram a retirada de todo o seu pessoal diplomático, incluindo as 100 tropas colocadas no território, devido à incapacidade de zelar pela sua segurança. Convém recordar que Washington estava pesadamente envolvida nas ações militares contra os rebeldes iemenitas, sendo o uso dos VANTs extremamente polémico devido ao grande número de danos colaterais. O crescente caos na região poderá representar o colapso das estratégias americanas prévias.

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