Informações acerca de um declínio real da economia da República Popular da China (RPC) têm circulado com alguma frequência nos media nos últimos meses. Como é costume dizer, onde há fumo há fogo, e sinais preocupantes têm surgido em relação àquela que recentemente se teria tornado na maior economia do mundo. Desde o ressurgimento chinês, durante os anos de 1990, que Pequim tem apresentado um crescimento económico na ordem dos 10%, no entanto, esse valor desceu para os 7% recentemente, e há indícios de que essa queda possa ser sinal de algo ainda mais preocupante.

Esta semana, tais receios foram confirmados pelas declarações do governador do Banco Central Chinês, Zhou Xiaochuan, que admitiu abertamente que a situação não estaria a decorrer tão bem quanto desejado, uma atitude inédita na usualmente super-otimista retórica chinesa.

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Evidentemente que desfalques económicos são preocupantes, sabemos disso aqui em Portugal, mas no caso da RPC é preciso ter em conta a escala e avaliar o assunto de três perspetivas diferentes.

A primeira é a social. Apesar da gigantesca população chinesa, com mais de 1,3 mil milhões de habitantes, é preciso ter em conta que o mercado interno, se bem que crescente, não reflete exatamente essa realidade. Cerca de 800 milhões de pessoas viverão na pobreza, e a lealdade das mesmas, mesmo dentro do repressivo regime de Pequim, está grandemente dependente da capacidade do Estado gerar empregos. Uma quebra neste potencial de empregabilidade seria um rude golpe no contrato social subjacente à atual sociedade chinesa.

Mais ainda, o país sofre com uma elevada taxa de envelhecimento e de uma falta de, calcula-se, 100 milhões de mulheres, exacerbadas pelas desiguais políticas de fertilidade da história recente.

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Estes elementos começam a levar a fortes atritos sociais que não podem, nem devem, ser ignorados. Numa tentativa de contrariar vários destes problemas, Pequim tem vindo a reorientar a sua economia para dentro, procurando no crescimento do consumo interno o apoio que começa a faltar. Mas com tantos pobres, o processo poderá revelar-se mais lento do que o esperado. Ao mesmo tempo põe em jogo medidas de centralização de poder e caça à corrupção.

Na arena internacional, a ambição de reclamar territórios no Mar do Sul da China certamente que se prende com o controlo de recursos e domínio sobre importantes vias comerciais, novamente alimentando a indústria nacional e o mercado de trabalho. Curiosamente, Pequim também anseia por acordos bilaterais em relações internacionais, sobretudo na área da banca. O BIIA, que está em crescimento desde o final do ano passado, tem atraído interesse internacional, não obstante as críticas americanas.

Historicamente, e como muitas potências de cariz imperial (quer o admitam quer não), a China sempre mirrou após fases de grande expansão.

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A tendência para centralizar o poder e procurar formas de crescimento territorial e bancário serão certamente modos de procurar evitar um encolher da RPC (que, convém relembrar, incluiu territórios cujas populações procuram há anos a independência), assim como o é o intensificar do discurso de caráter nacionalista. Em grande medida, as medidas do governo de Xi Jinping terão mais a ver com poder do que com economia, apesar da estreita relação entre ambos os setores. Mas, por si só, não resolvem os problemas descritos por Xiaochuan. Em Pequim, tenta-se fortalecer o regime, mas causa-se mais pressão num sistema já de si vacilante. #Política Internacional