Esta semana as agências noticiosas internacionais começaram a questionar-se acerca do aparente desaparecimento do Presidente russo Vladimir Putin, que não seria visto em público desde 5 de março (aquando do seu encontro com Matteo Renzi, o atual Primeiro-Ministro italiano). Entretanto teria cancelado diversas reuniões, algumas de grande importância. Sabe-se que o Presidente Putin falhou um encontro para a assinatura da aliança com a Ossétia do Sul, região que se segregara da Geórgia aquando da guerra de 2008. Entre outros compromissos cancelados, contam-se um encontro com o Serviço de Segurança Federal russo, e uma reunião que teria lugar no Cazaquistão, país que ainda hoje é um dos mais fortes aliados de Moscovo.

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Também se considera estranha a presença de fotografias de arquivo em recentes notas de imprensa do Kremlin. Imediatamente começaram a surgir questões acerca do estado de saúde do Presidente, que já completou 62 anos e que certamente terá estado sujeito a grande pressão devido às diversas crises que afetaram o seu governo, e que se tornaram especialmente comuns desde o início da crise ucraniana. Isto não obstante a imagem de robustez física e moral cultivada por Putin.

Entretanto o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, já veio apresentar declarações em que descreve o Presidente como estando de perfeita saúde, e que estaria apenas um pouco afetado com o grande stress das últimas semanas. Convém relembrar que já no passado o Presidente russo teria tido outros incidentes em que problemas de saúde menores o afastaram da vida pública, e, historicamente, "sustos" relacionados com a saúde dos líderes são relativamente comuns em Moscovo.

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Também como nos tempos soviéticos, a vida privada do líder é mantida sob grande sigilo, e escapadas da vida pública tendem a ser feitas sem quaisquer conhecimento das mesmas. Em termos de comparação, podemos relembrar que não será o único líder a apresentar esse tipo de comportamento, com os desaparecimentos do líder norte-coreano Kim Jong-Un a terem levado a ondas de rumores no passado, inclusive de que teria morrido ou sido destituído.

Talvez nem se desse grande importância ao temporário desaparecimento de Putin, se não fosse, de facto, a presente crise na Europa de Leste. A paz na Ucrânia mantém-se, apesar de vacilar. Mas, mesmo assim, o Exército Russo leva a cabo exercícios militares de grande escala no sul do país, com 10.000 homens envolvidos nos mesmos. Entretanto, e motivada pelos receios dos pequenos estados ex-soviéticos que fazem fronteira com a Rússia, a NATO reforçou a sua presença nesses territórios. Centenas de carros de combate americanos juntaram-se esta semana aos milhares de militares já estacionados na região.

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Incluem-se neste números forças de combate aéreo, como as aeronaves portuguesas que têm feito diversas missões no Leste da Europa durante os últimos meses.

É fácil imaginar que se o desaparecimento de Putin não está relacionado com problemas de saúde, ou com umas quaisquer férias imprevistas para aliviar o stress, então poderá envolver reuniões militares de alto nível com os altos-comandos das forças de defesa. Peskov admitiu que, de facto, Putin se envolvia em muitas reuniões que não são do conhecimento público. Isto não quer, evidentemente, dizer que estaria a planear uma guerra com a NATO, mas que poderia estar a precaver-se. Afinal, não está o outro lado a fazer o mesmo?